segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O melhor e o pior dos governos do PT

Do Diário do Centro do Mundo.
Onde o PT acertou e onde falhou nestes dez anos
Paulo Nogueira
Gosto de acompanhar as enquetes do Diário.Ajudam a ver o que se passa na cabeça dos brasileiros, de um modo geral.
Há poucos dias, o tema era os dez anos de PT no poder. A maior parte das pessoas avaliou como "bom" o trabalho do PT. Um contingente expressivo, e claramente apaixonado e engajado, foi além e optou pela alternativa "excelente". Uma minoria reprovou cabalmente a gestão petista.
Eu, pessoalmente, optei por bom. Se houvesse uma resposta entre regular e bom, seria minha escolha. Meu absoluto apartidarismo me dá a frieza necessária para um julgamento técnico, por assim dizer.
O maior acerto do PT foi no rumo e na visão de futuro. Ter como meta a redução da abjeta iniquidade social brasileira é um objetivo irrepreensível.
No meio século entre o golpe militar e a chegada de Lula ao poder, o que se viu no Brasil foi um governo de ricos, por ricos e para ricos. O Estado serviu de babá aos poderosos em detrimento dos demais.
Logo depois do golpe, a estabilidade no emprego – um direito trabalhista da era Vargas – foi ceifada. Os sindicalistas foram perseguidos e as greves proibidas.
Que poderia acontecer senão uma concentração vergonhosa de riqueza?
Foi nesse cenário que o PT surgiu, cresceu e enfim chegou ao poder.
Vistas as coisas em retrospetica, pode-se dizer que a sociedade elegeu o PT, em 2002, para reduzir a desigualdade.
Passada uma década, fica claro que o objetivo foi apenas parcialmente atingido. O Brasil avançou socialmente, mas bem menos do que deveria. Uma hipótese para isso é que a execução do PT – a capacidade de colocar em prática projetos e ideias – tenha sido apenas medíocre, muito aquém da missão igualitária do partido.
A hipótese da execução medíocre ganha força quando você vê os balanços que Zé Dirceu faz destes dez anos. Num deles, ele admitiu que o PT nada fizera para melhorar o sistema penitenciário brasileiro. É um assunto que, naturalmente, se tornou importante para ele, dada a pena que recebeu.
Em outro balanço, dias atrás, diante de militantes petistas, Dirceu foi muito além das grades porque recebeu perguntas extremamente pertinentes.
Perguntaram a ele por que o PT não buscara nestes anos todos aprovar uma legislação de imprensa que impeça abusos das empresas jornalísticas e, consequentemente, proteja a sociedade. É o que a Inglaterra e a Argentina estão fazendo. Dirceu atribuiu essa falha à falta de maioria do poder no Congresso, mas é evidente que houve mais que isso. Faltou, mais que maioria parlamentar, a firmeza convicta que se observa, por exemplo, em Cristina Kirchner.
Como Lula poderia levar adiante um projeto de tal envergadura enquanto mostrasse pelos barões da mídia uma reverência tão grande a ponto de comparecer ao funeral de dois deles, Frias e Roberto Marinho?
Mais uma boa pergunta foi feita a Dirceu pelos militantes petistas. Por que o governo não estimulou o surgimento de vozes alternativas ao conservadorismo das grandes corporações?
Especificamente: por que foi mantida a mesma lógica de destino de verbas publicitárias de sempre? Foi preciso que um levantamento viesse à luz para que soubéssemos que a Carta Capital, tão acusada pela direita de ser chapa branca, recebe na verdade migalhas da publicidade estatal.
As Organizações Globo – de Jabor, Merval, Noblat, Míriam Leitão, Sardenberg, Magnolli, Kamel etc etc. – estão no extremo oposto da Carta Capital mesmo quando a audiência da tevê desaba a níveis inéditos e a circulação do jornal vai na mesma direção.
Alguém consegue explicar esse disparate?
Dirceu também não. Ele admitiu que alguma coisa poderia ter sido feita aí.
Deveria. Até porque o Brasil tem experiência sobre o que a mídia pode fazer quando faltam freios. É de domínio público o papel das grandes empresas de jornalismo no golpe de 1964, e na desestabilização, antes, de Getúlio Vargas.
Existe jurisprudência, portanto.
O PT fez pouco aí. Ou nada. Com isso, ganhou corpo a tese esdrúxula e cínica de que regulamentar a mídia é "censurar".
Faltou aí, mais uma vez, competência na execução. Dados os absurdos cometidos pela mídia – a Veja chegou a publicar um dossiê que afirmava que Lula tinha conta no exterior, depois de admitir não ter tido capacidade de provar nem de desmentir as acusações – não seria tão difícil assim convencer a sociedade da necessidade de estabelecer novos parâmetros para o jornalismo.
A íntegra.

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