sexta-feira, 14 de março de 2014

Mineroduto, direitos humanos e destruição ambiental em Minas Gerais

A "grande" imprensa que vive de escândalos não se importa com os verdadeiros escândalos como este, invenção de um amigo do Aécio facilitada pelo senador quando governador.

Do jornal GGN Blog Luís Nassif Online.
A carta aberta dos atingidos pelo Projeto Minas-Rio
Contexto:
A cidade de Conceição do Mato Dentro viveu, no início dos anos 2000, um desenvolvimento focado no ecoturismo e na educação ambiental, um movimento ambiental bem sucedido que levou à criação da Reserva de Biosfera da Serra do Espinhaço.
Apesar do reconhecimento de seu sucesso, essa política se desintegrou com o anúncio da construção de uma grande mina de ferro na região, proposta pela MMX, do Eike, em 2006, e adquirida pela Anglo American em 2008.
A mina faz parte do Projeto Minas-Rio, que ainda inclui uma linha de transmissão e um mineroduto que transportaria o minério de ferro até o porto de Açu, no Rio.
A instalação da mina, a princípio bem-vinda pela população local, tornou-se um inferno para as comunidades atingidas, com as violações de direitos humanos, devidamente registradas pelo ministério público federal e estadual, e demonstradas no relatório da consultoria Diversus, que descreve como a empresa trabalhou para fragmentar as comunidades e as negociações de reassentamento.
É comum se ouvir dos membros das comunidades atingidas, pesquisadores, jornalistas, ambientalistas e outros que acompanham o processo, haver evidências claras de manipulação do processo de licenciamento ambiental, que está entrando na última fase, a licença de operação.
Para quem não acredita, basta pedir junto à Supram-Jequitinhonha as gravação das reuniões do Conselho de Política Ambiental acerca do licenciamento ambiental e fazer o próprio julgamento.
A reunião 29, do dia 11/12/2008, em que a viabilidade ambiental da mina foi aprovada, é especialmente ilustrativa, assim como o parecer único 001/2008, que conta com uma boa análise da equipe técnica do governo, mas um parecer estranhamente favorável.
Esses três vídeos, de direção do Rodrigo Valle, contam um pouquinho do início da história.
http://www.youtube.com/watch?v=kLxQjBsvQdo
http://www.youtube.com/watch?v=oysDR7sf5RU
http://www.youtube.com/watch?v=DRCoXLCeovc
O grande capital com o apoio do governo gera divergências tão grandes de poder entre empreendimento e comunidades atingidas, que desafia a consciência do maior dos desumanos.
Há muita coisa escrita sobre este caso, teses de doutorado, artigos de jornal e de revistas científicas, manifestos, e cartas abertas.
É comum pesquisadores e jornalistas entrarem céticos no caso e tomarem posição contra o projeto, ao conhecê-lo de perto.
Hoje eu gostaria de divulgar aos colegas de blog a última carta aberta das comunidades atingidas pelo empreendimento. 

Carta Aberta das Comunidades Socialmente Atingidas pelo Empreendimento Minas-Rio à sociedade

As comunidades do Distrito de São Sebastião do Bom Sucesso, Sapo -- Água Quente, Beco, Cabeceira do Turco, Ferrugem, Quatis, Turco, e de Córregos -- Gondó e do Jassém se reconhecem como comunidades socialmente atingidas pelo empreendimento Minas-Rio, na região de Conceição do Mato Dentro.
Nós, comunidades socialmente atingidas, vimos a público manifestar o nosso repúdio às práticas violadoras de direitos humanos e ambientais impostas pela empresa Anglo American com a conivência e omissão do poder público municipal, estadual, federal e todas as instâncias responsáveis pela fiscalização e promoção do bem comum.
A íntegra.

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