segunda-feira, 10 de março de 2014

A rejeição da OEA à intervenção americana na Venezuela

O objetivo golpista é claro e o modelo mais que manjado: a oposição de direita promove manifestações violentas, com depredação de bancos e empresas multinacionais, a "grande" imprensa reverbera e amplifica, forma-se a ideia de caos, de governo (de esquerda, é claro) sem controle do país; em seguida, os EUA se manifestam a favor da ordem, as "forças da ordem" pedem intervenção externa, a "grande" imprensa passa a vender a ideia como única solução "para que o país volte à normalidade", "em nome da democracia". E então o governo dos EUA manipula o apoio de outros países e aprova uma sanção internacional, que caberá a ele liderar. E pronto, com "apoio internacional", os EUA invadem mais um país.
Isso acontece há um século em todo o mundo e há mais tempo na América Latina, o "quintal americano".
Qualquer pessoa minimamente informada sabe disso e no entanto quem se opõe é chamado de "comunista" (o comunismo voltou?) e a intervenção americana é chamada de "defesa de democracia".

Felizmente, dessa vez a OEA teve a dignidade de rejeitar amplamente (29 a 3 não é só maioria, é ampla maioria, quase unanimidade; só EUA e seus satélites políticos, Canadá e Panamá, votaram a favor) a intervenção na Venezuela.

Agora, veja-se o noticiário nacional:
Em primeiro lugar, o silêncio.
Se fosse a decisão oposta, podemos imaginar o barulho que a "grande" imprensa faria, mas o "grande irmão" da velha imprensa foi derrotado e ela esconde a notícia.
Em segundo lugar, a forma como a notícia é dada.
Compare-se G1 (Globo) -- velha imprensa; Terra -- nova imprensa empresarial da internet; e a Rede Brasil Atual -- também na nova imprensa, mas de esquerda.
Globo sequer fala da rejeição no título, fala que "texto da Bolívia" recebeu apoio de "outros" (28 em 32 são "outros"!) e continua batendo na tecla das razões para a intervenção (20 mortos e 300 feridos!).
Terra informa sem interpretar mas hierarquiza as informações de forma tendenciosa (a não intervenção é o último item citado); fala em rejeição "por maioria" e não toca no isolamento dos EUA. Imagina se o Brasil perde uma votação assim, como explorariam o isolamento do governo (petista) brasileiro.
RBA deu a notícia mais informativa e menos tendenciosa.
Acrescente-se que os comentaristas da velha "grande" imprensa aproveitaram para atacar o governo brasileiro por seu voto. Como se junto com o Brasil não estivessem outros 28 países.
Tudo que ouvimos falar sobre manipulação de informações pela "grande" imprensa é pouco diante da realidade.
Nos dias atuais, noticiário da velha imprensa e jornalismo não têm mais nada em comum.

Do G1.
Conselho Permanente da OEA aprova declaração sobre Venezuela
Texto proposto pela Bolívia recebeu aval de outros países da Alba.
Onda de manifestações no país já deixou 20 mortos e quase 300 feridos.

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta sexta-feira (7), por ampla maioria, uma declaração de apoio à paz e ao fim da violência na Venezuela, mergulhada em uma onda de protestos que já deixou 20 mortos.
"O Conselho Permanente acaba de aprovar, por 29 votos a 3, uma declaração de solidariedade com a paz, com o diálogo e com a democracia venezuelana", disse o embaixador venezuelano na OEA, Roy Chaderton.
A íntegra.

Do Terra.
OEA aprova declaração de solidariedade e apoio à Venezuela Conselho da Organização dos Estados Americanos aprovou declaração intitulada "solidariedade e apoio à institucionalidade democrática, ao diálogo e à paz" na Venezuela 
O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta sexta-feira por maioria uma declaração conjunta na qual reconhece e "apoia" o diálogo iniciado pelo governo na Venezuela e pede a continuação do mesmo, o respeito aos direitos humanos, além de expressar seu apreço pela não intervenção nos assuntos internos do país.
Com 29 votos a favor e 3 contra (EUA, Canadá e Panamá), os embaixadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) votaram, ponto por ponto, várias propostas até validar uma declaração intitulada "solidariedade e apoio à institucionalidade democrática, ao diálogo e à paz" na Venezuela.
A íntegra.

Da Rede Brasil Atual.
Brasil ajuda a barrar resolução contra Venezuela na OEA 
Itamaraty acredita que envio de observadores internacionais seria inoportuno. Declaração, aprovada contra vontade dos Estados Unidos, condena ingerência externa e cobra respeito à democracia
O Brasil votou contra o envio de observadores pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para analisar a situação na Venezuela. Durante reunião extraordinária da entidade regional, o Itamaraty manifestou sua visão de que uma decisão assim neste momento seria inoportuna e contribuiria para acirrar os ânimos entre governo e oposição, em conflitos que já deixaram ao menos vinte mortos desde 12 de fevereiro. O Conselho Permanente da OEA já realizou dois dias de reuniões em Washington.
A administração de Nicolás Maduro obteve uma vitória expressiva ontem, com a aprovação de uma declaração que rejeita intervenções externas para a solução do impasse. Essa tem sido justamente a linha de argumentação mantida pelo presidente e por seu chanceler, Elías Jaua, desde que começaram protestos e atos violentos, entendidos pelos chavistas como uma tentativa de golpe de Estado.
O texto, que contou com 29 votos a favor, valoriza a busca do diálogo e pede respeito à institucionalidade democrática. A resolução contou com a oposição de Estados Unidos, Canadá e Panamá. No texto, o Conselho Permanente expressou seu "reconhecimento, o apoio pleno e o incentivo às iniciativas e aos esforços do governo democraticamente eleito da Venezuela e de todos os setores políticos, econômicos e sociais para que continuem avançando no processo de diálogo nacional, para a reconciliação política e social".
A íntegra.

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