terça-feira, 11 de março de 2014

Imprensa colonial e a Copa 2

A matéria do jornal Metro sobre os "19 hotéis atrasados para a Copa" em Belo Horizonte revela talvez sem querer o descaso do jornal com o dinheiro público.
Dando voz a um executivo do setor hoteleiro, Metro apresenta a seguinte solução para o problema do atraso das obras: a prefeitura deve ampliar o prazo de entrega, mas deve também isentar de tributos municipais aqueles que cumprirem os prazos!
Seria cômico, se não empresários e "grande" imprensa não estivessem falando de dinheiro público, dos interesses de 2,5 milhões de belo-horizontinos.
Além de não multar os faltosos, a prefeitura deve fazer mais favores aos "corretos"! Este é o entendimento que têm de justiça.
Para compensar a perda de receita, os belo-horizontinos com certeza devem também pagar IPTU ainda mais alto.
Um empresário propõe isso sem o menor pudor e o jornal publica, como porta-voz, como mensagem enviada à prefeitura, legitimando uma demanda escandalosa.
É preciso lembrar que os hotéis "para a Copa" estão sendo feitos graças a uma série de incentivos que a administração Márcio Lacerda concedeu às construtoras, entre eles, como lembra o próprio jornal, poder construir área quatro vezes maior do que a permitida por lei.
Assim, em nome da recepção aos turistas para quatro jogos da Copa, durante um mês, Belo Horizonte vê surgir um monte de monstrengos, que, entre outras coisas, provocarão grandes transtornos no trânsito. Além de transformarem os passeios públicos em canteiros de obras, coisa que ninguém parece ligar.
O dinheiro que o setor está ganhando com isso dá para imaginar.
O exemplo mais absurdo é a venda de um pedação da Rua Musas, no Bairro Santa Lúcia, para uma empresa poder juntar dois lotes, cada um de um lado da rua.
Todo o assunto é um descalabro total e o menor deles não é que a Secretaria Especial da Copa (aquela para a qual o prefeito Lacerda nomeou o seu filho), criada exclusivamente para isso, não quis falar sobre o assunto com o jornal...
Qualquer pessoa minimamente inteligente vê que não faz sentido inaugurar 52 novos hotéis na cidade na mesma época, muito menos para atender uma suposta demanda que vai durar menos de um mês.
A própria associação dos hoteleiros, segundo o jornal, festeja o atraso, porque "o mercado não vai absorver tudo isso" e em vez de ser bom será ruim para todos.
E aí? Nada, o jornal simplesmente publica isso, sem questionar os absurdos cometidos em Belo Horizonte em nome da Copa e que já estão sendo desmascarados, sem se perguntar os motivos que levaram o prefeito milionário a distribuir favores lesivos à população da cidade que ele administra sem no entanto morar nela.

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