sábado, 19 de janeiro de 2013

Cristina Kirchner contra o monopólio do Clarín

Outra reportagem de Retrato do Brasil, que a gente não lê na "grande" imprensa, mostra o esforço do governo da presidente Cristina Kirchner para combater o monopólio da comunicação na Argentina. Lá, a Globo se chama Clarín e controla o maior jornal do país, 60% da tevê a cabo, 38% da tevê aberta, 41,8% do mercado de rádio e a única empresa produtora de papel para imprimir jornais. A nova lei de comunicação foi aprovada pelo congresso argentino, depois de discutida amplamente com a população e todo tipo de organizações da sociedade, em debates e foruns realizados país afora, e é apoiada pelo sindicato dos jornalistas. Já deveria ter entrado em vigor, mas o Clarín recorreu à justiça e esta protela sua aplicação -- na Argentina como no Brasil, a direita articula "grande" imprensa e judiciário. O que prevê a nova lei? Basicamente, que as empresas não podem controlar mais veículos do que o razoável para o funcionamento da democracia, da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão. Aqueles que são superpoderosos, como o Clarin, terão de escolher as empresas que querem manter, dentro dos novos limites, e vender ou entregar as concessões das demais. Mas não é isso que se lê na imprensa brasileira, solidária ao Clarin e temerosa de que o mesmo aconteça aqui. Globo, Veja, Folha etc. repetem sem parar que o monopólio é a liberdade de imprensa e que a democratizção é um atentado a ela, quando a verdade óbvia é o contrário -- e a prova disso é a manipulação do noticiário sobre o assunto. Como diz a presidente argentina, que democracia é essa em que os grandes veículos de comunicação não respeitam as leis e distorcem as informações? Na Argentina, como no Brasil, a "grande" imprensa é o partido da direita.

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