domingo, 20 de outubro de 2013

Como funciona a imprensa

A velha "grande" imprensa, digo. Velha "grande" imprensa mineira, no caso.  Velha "grande" imprensa mineira e velha política mineira.
Primeiro, o caso: movimentos sociais começam campanha para diminuir o preço da conta de energia da Cemig. Argumentos: a energia da Cemig é a mais cara do Brasil. Por quê? Porque foi privatizada pela metade pelos governos tucanos de Azeredo, Aécio e Anastasia (não foi totalmente porque a privatização foi contida no governo Itamar) e sua prioridade agora é dar lucro aos acionistas privados. Para isso corta despesas, demite funcionários, terceiriza serviços -- e até boicota a redução de tarifas decretada pelo governo federal.
Além disso, serve de instrumento da política tucana de oferecer subsídios às grandes e gigantescas empresas.
Resultados:
1) a Cemig distribuiu quase R$ 17 bilhões aos seus acionistas nos últimos dez anos (80% do lucro);
2) o consumidor residencial da Cemig paga 10 vezes mais pela tarifa do que as grandes empresas -- por um consumo mensal de 200 Kw, por exemplo, uma família paga R$ 100, enquanto grandes empresas pagam R$ 32 e as maiores empresas R$ 10;
3) a qualidade do serviço prestado pela Cemig cai
Nem bem a campanha dos movimentos sociais começa, a "grande" imprensa local estampa anúncios de duas páginas da Cemig.
O que mantém a imprensa são anúncios e os governos são os maiores anunciantes.
Os governos tucanos de Aécio e Anastasia se notabilizaram por multiplicar os gastos com propaganda.
A Cemig é uma empresa que não tem concorrentes, não precisa de propaganda para conquistar os consumidores e vender seu produto.
Seus anúncios são pagos com dinheiro do próprio consumidor, aquele que paga a mais cara energia do Brasil.
A velha "grande" imprensa recebe uma pequena fortuna (duas páginas num "grande" jornal podem custar a bagatela de R$ 783 mil!).
Notícias sobre a campanha dos movimentos sociais para diminuir o preço da energia pago pelo consumidor residencial deixam de ser publicadas ou no máximo se transformam em matérias pequenas, escondidas, e sempre acompanhadas de declarações do governador e do presidente da Cemig ("o outro lado").
Um assunto importante, que afeta a vida de 20 milhões de mineiros, será ignorado e desaparecerá do noticiário.
O anúncio da Cemig não é novidade, a história é velha, velhíssima. O que há de novo é a internet, a nova imprensa; ninguém mais lê os velhos "grandes" jornais e revistas. A influência dos velhos "grandes" veículos (incluída aí a televisão) é cada vez menor e a das propagandas oficiais neles também.

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