quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Contra a escola

Escola em tempo integral para todas as crianças -- para elas brincarem, fazerem arte, praticarem esportes e a convivência, acima de tudo. A ideia de que as crianças devem aprender um mundo de coisas que nunca vão usar (que adulto é capaz de fazer uma prova de português, matemática, biologia, física ou química com matéria dada a alunos do ensino fundamental ou do segundo grau?) serve ao propósito do capital, que quer formar mão-de-obra submissa à autoridade autoritária; serve à ideologia individualista que forma adultos competitivos, que não se importam com a coletividade, pois seu foco é resolver seus problemas particulares, é "vencer na vida". Trata-se de uma ideologia do século XIX inadequada para o século XXI. A escola tradicional -- dividida em classes lotadas de alunos sentados em carteiras, todos olhando na mesma direção, para o quadro e a professora, "aprendendo" as mesmas coisas -- parte de um erro, o de que todas as crianças são iguais e devem ser exigidas igualmente e dar os mesmos resultados. Nenhum professor ensina nada, é o aluno que aprende -- e cada um só aprende aquilo pelo qual se interessa. Crianças e adolescentes não precisam de professores, precisam de educadores, coisa que as escolas raramente têm.

Do saite Outras Palavras.
Educar para o trabalho ou para o convívio? 
Criada há nove anos, comunidade em Porto Alegre repensa agora formação de suas crianças, para valorizar singularidades e superar concepções produtivistas  
Por Katia Marko, na coluna Outro Viver

A Comunidade Osho Rachana comemora nove anos de existência este mês. Durante este tempo, experimentamos diferentes formas de conviver. Algumas pessoas que ajudaram a construir o projeto já não estão mais; outras, chegaram. Crianças nasceram. Novos sonhos foram despertados. Um deles vem sendo gestado há alguns anos: a possibilidade de uma outra educação para nossos filhos.
A primeira vez que a bailarina Ana Thomaz esteve conosco foi há três anos. Na época, a semente da ideia da desescolarização foi plantada. No início do mês, ela retornou com suas duas filhas e criou um turbilhão em nossas mentes e corações. Sua simplicidade, autenticidade e paixão nos tocaram profundamente. Foi uma semana de muito debate, descobertas e reavaliações.
Ana vem aplicando a desescolarização com seus filhos, sem a pretensão de criar um movimento ou convencer multidões da sua verdade. Mas ao observar a doçura, inteligência e solidariedade de suas meninas, comprova-se a veracidade da sua prática. Segundo ela, o princípio da desescolarização é a valorização das singularidades. "É na singularidade que aceitamos a diferença e nos unimos verdadeiramente, sem interesses, muletas, especulações. É na diferença que a vida acontece de modo potente", explica.
Uma das principais críticas que Ana Thomaz faz à escola é a constituição de corpos impotentes. Crianças que vão perdendo a vitalidade e a alegria, sentadas em classes escolares que não despertam sua criatividade. "Um corpo desequilibrado, descoordenado, impotente, cria uma cultura desequilibrada, descoordenada e impotente. Enquanto não reorganizarmos nossa condição biológica, enquanto não colarmos nossa existência à sua força criadora, todas as mudanças em nossa cultura serão só a melhora do que está ruim, e continuaremos a nos destruir, a perder a grande possibilidade da vida plena e potente."
A íntegra.

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