terça-feira, 20 de agosto de 2013

As manifestações de rua e o PT: as propostas do governador Tarso Genro

O PT é o partido ônibus da esquerda brasileira, quem ficou de fora foi definitivamente para a direita ou se perdeu no caminho ou faz barulho sem resultados. Quem ficou dentro buscou (e busca ainda) caminhos conservadores, quase neoliberais, ou reformistas ou até revolucionários. As manifestações que começaram em junho passado foram benéficas para o PT, o tiraram da posição confortável e conservadora em que estava.

Da Agência Carta Maior.
Os desafios do PT numa nova concepção de frente
Tarso Genro 

No momento que o PT discute o seu futuro e de certa forma os demais partidos do campo da esquerda discutem-no também - tanto em relação ao processo eleitoral do ano próximo, como em relação às estratégias para o próximo período - quero sugerir que o meu partido faça o seu debate de uma forma não tradicional. Não agende o seu discurso a partir de temas
relacionados exclusivamente às divergências internas que nos preocupam, mas também -- e principalmente -- a partir da composição de um bloco de forças econômicas e políticas que podem apoiar uma nova fase do processo da "revolução democrática", em curso no país: os trabalhadores, os setores médios democráticos, os assalariados em geral, a juventude progressista, os homens e mulheres trabalhadores do campo e os setores empresariais, para os quais o aumento de renda dos mais pobres e as encomendas e investimentos do Estado significam incremento na sua atividade comercial a industrial.
Qualifico como "revolução democrática" o processo concreto em que -- independentemente da nossa vontade ou vocação política -- não está em jogo a propriedade dos meios de produção, mas o seu desenvolvimento para maximizar renda e emprego. Não está em jogo a destruição do Estado, mas a sua reforma democrática no sentido de combinar democracia direta com a representação política, para a funcionalidade da representação da Constituição de 88; não está em jogo qualquer "expropriação" de meios de comunicação, mas a sua democratização e utilidade social; não está em jogo a possibilidade de “golpes” de força contra a Constituição de 88, mas a sua degradação progressiva, pela captura das instâncias da política pela força normativa do capital financeiro, que degrada aquela esfera e a utilidade dos partidos.
Sustento, portanto: o que está em jogo no país é a hegemonia sobre o projeto democrático moderno, cujo reflexo na estrutura de classes da sociedade e no comportamento dos agentes políticos - dentro do Estado e fora dele -- é que vai determinar o fundamentos do nosso futuro: o futuro próximo, que refere aos níveis de coesão social e de igualdades -- desigualdades, sociais e regionais; e o futuro mais remoto, que refere ao tipo de sociedade pós–capitalista e pós-socialismo real, que iremos construir.
A íntegra.

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