sábado, 17 de agosto de 2013

Carta Capital tem seu dia de Veja

O assunto do mês é o Fora do Eixo. Natural que Carta Capital se interesse por ele e faça reportagem com chamada de capa, mas é estranho que escale um repórter suspeito, porque tem conflitos de interesses com o Fora do Eixo. Pior ainda é só ouvir quem acusa e deixar "o outro lado" para esta matéria publicada depois e só na internet. Até o título é tendencioso. A matéria ficaria melhor na Veja. Ou na Folha.

Fora do Eixo: "Ninguém precisa ter medo de nada"  
por Lino Bocchini e Piero Locatelli 

Na apuração para reportagem publicada na edição 762 de CartaCapital, que chegou às bancas nesta sexta-feira 16, a reportagem verificou que diversos ex-integrantes do coletivo Fora do Eixo tinham medo de se manifestar contra o grupo. Diante disso, em resposta a perguntas de CartaCapital, Pablo Capilé disse que “ninguém precisa ter medo de nada”. CartaCapital procurou o líder do coletivo para que ele se pronunciasse sobre as acusações de ex-integrantes das casas Fora do Eixo. Por e-mail, Capilé respondeu sobre a apropriação de bens dos integrantes e as críticas de movimentos sociais. Em seu e-mail, apesar de usar a primeira pessoa durante o texto ("mim"), diz que "essa entrevista foi respondida coletivamente, por vários integrantes do Fora do Eixo". 
A reportagem da CartaCapital também procurou Bruno Torturra, líder da Mídia Ninja, como é chamado o braço de comunicação do Fora do Eixo. Ao contrário de Capilé, que trata as duas coisas como uma só, o jornalista preferiu fazer a diferenciação e se recusou a responder todas as perguntas, inclusive as feitas sobre a Mídia Ninja. "Não sou do Fora do Eixo. Meu trabalho é com a Mídia Ninja, que foi gestada dentro do FdE e que hoje é composta de muita gente e muitos grupos autônomos. Não confunda as coisas."
Leia abaixo a íntegra da entrevista:

- CartaCapital: Dos oito ex-integrantes do Fora do Eixo que a CartaCapital ouviu, quatro aceitaram ser identificados. Os demais se sentiram intimidados e têm medo de retaliações por parte de membros do Fora do Eixo. A que vocês atribuem o medo que essas pessoas sentem? O que vocês diriam para esses e outros ex-integrantes?

- Fora do Eixo: Diríamos que ninguém precisa ter medo de nada, e que muito nos espanta este tipo de declaração. Inclusive, chega a ser estranho esta reação sendo que todas as pessoas que passaram pela rede sempre puderam colocar estas angústias quando estavam dentro dela. A rede não pratica intimidação, até mesmo porque, o que poderíamos fazer? São 10 anos de trabalho sem nenhum histórico de violência ou perseguição para que as pessoas não se identifiquem. Isso é muito sensacionalismo. O que as pessoas não colocam em perspectiva é que estas pessoas que hoje estão fora viram no FDE uma possibilidade de realizar as atividades que desejam e se posicionar profissionalmente. Não dar a cara é justamente mais do que evidenciar uma possível perseguição ao FDE, é ter que revelar também o que elas ganharam com esta convivência. Elas participaram de um processo consentindo com a forma como ele se organiza, utilizaram-se das relações que estabeleceram ali dentro, e de repente têm medo de retaliação. Estranho. Uma prova de que esse questionamento é improcedente é que a maioria das pessoas que saem do FDE vão trabalhar com outros parceiros da rede, ou grupos que mantêm diálogo conosco, como o próprio caso da Laís [Bellini], que saiu da Casa SP, e foi trabalhar com o [portal de notícias] Outras Palavras, que ela conheceu justamente como membro do FdE. E posso te dar diversos exemplos como esse. Para mim, levantar estas questões de forma difamatória, sem citar as pessoas e os casos de perseguição não é a melhor forma de se abordar a questão. Que retaliação ou perseguição poderíamos fazer? Emitir nossa opinião sobre o que achamos destas pessoas se perguntados? Isso está todo mundo fazendo, sem nem conhecer o FdE, e não vimos pergunta alguma questionando se o FDE estaria se sentindo perseguido. Por quê?
A íntegra.

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