segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A violência dos bancos contra seus clientes

Por falar no ex-sindicalista bancário Gushiken, descrevo a cena corriqueira em uma agência do maior banco privado brasileiro, que teve no primeiro trimestre deste ano o maior lucro de um banco privado na história do País.
A área da agência é imensa, mas o espaço destinado aos caixas, no fundo, é bem pequena, para só quatro funcionários. Na entrada da agência, depois da porta giratória com detector de sei-lá-o-quê e dos guardas armados, espaço para (também) quatro caixas eletrônicos, mas um deles está vazio; dos três caixas instalados, só dois funcionam. Entre caixas eletrônicos e caixas com funcionários, também quatro mesas de "gerentes" -- quatro parece ser a escala de medida do banco. Um dos dois caixas eletrônicos em funcionamento não realiza operações de depósito, o que leva clientes a irem a ele e depois voltarem à fila. Por fim, este mesmo caixa sai do ar. A fila não para de crescer e a insatisfação também, mas não vai além de comentários.
Os bancos brasileiros dispensaram seus funcionários e instalaram equipamentos eletrônicos, terceirizaram serviços e reduziram drasticamente seus custos.
Em 1990 havia, segundo o Dieese, 732 mil bancários no País; em 2012, eram só 508 mil.
Entre 1990 a 2007, segundo o Ipea, foram suprimidas 1.688 agências bancárias no País, cerca de 8,4%.
Tudo isso, enquanto a população brasileira aumentava em quase 50 milhões. 
O trabalho que era feito pelos bancários demitidos agora é feito por nós, clientes -- gratuitamente. Alegam que a tecnologia agiliza a nossa vida, mas isso não é verdade, porque continuamos perdendo tempo na fila do caixa eletrônico ou na internet.
Os bancos pegam nosso dinheiro e o emprestam cobrando juros altíssimos -- e ainda nos cobram taxas por isso!
O lucro dos maiores bancos brasileiros subiu de R$ 23,3 bilhões em 2004 para R$ 53,4 bilhões em 2011. 
Mesmo assim não têm um pingo de respeito por nós, seus funcionários não remunerados. Não se dão sequer o trabalho de instalar número suficiente de caixas eletrônicos, nos tratam com desprezo absoluto. E se o cliente procurar um (simpático) funcionário para reclamar, vai ouvir dele palavras de apoio e a sugestão de que ligue para a central do banco, porque ele concorda com a reclamação, mas não pode fazer nada. A central do banco, porém, é uma gravação!
Os bancos inventaram a empresa perfeita, que quase não tem funcionários, que tem lucros astronômicos e é absolutamente impessoal, na qual o cliente não tem a menor possibilidade de entrar em contato com o dono, com administrador, com o chefe. Todos nós, clientes e bancários, lidamos e obedecemos a uma entidade virtual, a um senhor invisível.
Depois, quando os jovens depredam e põem fogo em agências bancárias, são tachados de vândalos e violentos. E isso que os bancos fazem diariamente com seus clientes, com toda a população, afinal, que não pode prescindir deles, é o quê?

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