quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Morrer de trabalhar

Por que trabalhamos tanto? Por que a tecnologia, em vez de diminuir o tempo dedicado ao trabalho, só o faz aumentar? Por que produzir tanto? Por que consumir tanto? Por que queremos sempre mais? Keynes, citado na matéria, foi o economista que salvou o capitalismo no século XX, quando duas guerras, fascismo e a Grande Depressão de 1929 pareciam indicar que não havia saída. Dr. Keynes prescreveu a intervenção do Estado e o fim do liberalismo e de fato o capitalismo viveu uma grande fase, desde o fim da II Guerra Mundial até os anos 70. E então o liberalismo renasceu (e foi testado pela primeira vez no Chile), trazendo de volta todo o inferno de crises, conflitos e sofrimentos do período entre 1914 e 1945.

Do Outras Palavras.
A morte de Moritz Erhardt e o erro de Keynes
Por Ruth Margalit | Tradução Cristiana Martin 
Ainda não está claro o que provocou a morte de Moritz Erhardt, um jovem de 21 anos, estagiário no Bank of America Merrill Lynch, em Londres no mês passado. Erhardt, um estudante alemão que havia terminado recentemente um semestre de intercâmbio na faculdade de negócios da University of Michigan, estava se aproximando do final de um estágio de verão de sete semanas no renomado banco quando desmaiou tomando banho em sua residência no leste de Londres. Relatórios indicaram que ele sofria de epilepsia e deve ter convulsionado. Esta é uma trágica história e o que a faz ainda mais atroz são as revelações da fatigante agenda que tinha Erhardt nas semanas que antecederam sua morte. (Convulsões epilépticas também podem ocorrer devido à exaustão).
Tentando conseguir a aprovação de seu chefe, Erhardt virou a madrugada trabalhando por oito vezes em duas semanas, dizem seus colegas. Nas noites que antecederam sua morte, ele trabalhou até às seis horas da manhã por três dias seguidos. Erhardt estava empregado na divisão de investimentos bancários, que é notável, mesmo para os parâmetros degoladores da City of London e de Wall Street, pelas horas de trabalho esperadas dos trabalhadores. "Eu vejo muitas pessoas andando por aí, com os olhos avermelhados e bebendo cafeína para poder passar por isso, mas elas não reclamam, pois a recompensa pode ser muito boa", disse um estagiário ao The Independent. (Em uma declaração, o Bank of America Merrill Lynch disse que não poderia comentar tais afirmações sobre as horas que Erhardt vinha trabalhando e está aguardando laudos pós-morte).
Excesso de trabalho: esta possível causa para a morte de Erhardt pode ser relativamente rara, mas não é nenhuma novidade. Apenas alguns meses atrás, um rapaz de 24 anos, em Beijing, sofreu uma parada cardíaca após ter trabalhado excessivamente por um mês. No Japão existe até um termo para este fenômeno, e o ministério da Saúde fez um grande esforço para reduzir o número de casos. A morte de Erhardt mostra um curioso fenômeno, que destaca a natureza do trabalho e do lazer, e as razoáveis expectativas que as pessoas possuem de ambos.
Em 1930, John Maynard Keynes escreveu um ensaio chamado Economic Possibilities for Our Grandchildren (Possibilidades Econômicas para Nossos Netos), no qual ele previu que, com o avanço de tecnologias e o consequente aumento da produtividade, poderíamos trabalhar muito menos para satisfazer nossas necessidades. Em um século, estimou Keynes, ninguém deveria trabalhar mais do que quinze horas semanais. O argumento parece quase ingênuo, à medida em que 2030, a data estimada por Keynes, se aproxima.
A íntegra.

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