quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O fracasso do lançamento do satélite sino-brasileiro

A matéria é importante, mas a publico também porque era assim que se fazia jornalismo até a década de 1980. Agora é raro.

Da Retrato do Brasil. 
RB na China: o fracasso do lançamento do Cbers 3
Na manhã de ontem, a delegação brasileira assistiu extasiada à subida do foguete Longa Marcha 4B que carregava o satélite sino-brasileiro. Um hora depois, o choque: o gigante chinês não conseguiu colocar o Cbers-3 em órbita. Leia o relato de nossa repórter Tânia Caliari.

O vice presidente da China Great Wall Corporation (CGWC) chegou à sala do hotel da base de lançamento de Taiyuan, no interior da China, onde a delegação brasileira aguardava seus pares chineses para comemorar o lançamento do satélite Cbers 3, e disse à queima roupa ao ministro brasileiro Marco Antonio Raupp, da Ciência, Tecnologia e Inovação: “O lançamento fracassou”. A informação deixou todos os presentes consternados.
Cerca de uma hora antes, eles haviam testemunhado a subida do foguete Longa Marcha 4B, que carregava em sua ponta o satélite sino-brasileiro de observação da Terra, com a missão de colocá-lo em órbita a uma distância de 747 quilômetros do planeta. Sob o frio de -6°C, chineses e brasileiros se reuniram em frente à sede da base, distantes a pouco mais de 1,5 quilômetro da torre de lançamento, e viram, às 11h26 (1h25 no horário de Brasília), o veículo lançador de 250 toneladas subir. Era o início da 35ª viagem desse consagrado modelo de foguete chinês desenvolvido pela Academia de Xangai de Tecnologia Espacial (Sast, na sigla em inglês), que até então colecionava 100% de sucesso em seus lançamentos.
O céu sobre a base era de um azul brilhante, mas a esperança de se ver a olho nu a separação do primeiro estágio depois de cerca de 2 minutos de voo não se concretizou: o foguete já ia alto demais. Aparentemente, o lançamento havia sido bem sucedido e a satisfação era geral, sobretudo entre os 12 funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que haviam trabalhado na integração do Cbers 3 na China nos últimos meses e que até minutos antes da subida do lançador estavam junto ao satélite checando suas condições para entrar em órbita.
A seguir, todos foram para o hotel da base, onde haveria solenidade, discursos e uma primeira avaliação dos resultados. Ainda a bordo do micro-ônibus, 14 minutos após o lançamento, veio a informação por rádio, traduzida pelos jovens guias chineses, de que o satélite havia sido ejetado com sucesso do terceiro estágio do foguete e que a aba do painel solar, que recolhe a energia que alimenta o Cbers 3, havia sido aberta. Célio Vaz, ex-funcionário do Inpe, que estava no projeto Cbers em seu início, em 1988, e que hoje é dono da Orbital, a fabricante do painel solar, vibrou discretamente, aliviado.
Todos comemoraram – afinal, o satélite havia dado sinal de vida, emitindo dados sobre seu funcionamento, sinal de que os subsistemas de telemetria e de telecomando, os quais, junto com o painel solar e outros componentes, compõem a cota dos 50% das partes do satélite sob responsabilidade brasileira, também estavam funcionando.
O que teria acorrido a partir dessa etapa da operação que resultou na terrível notícia dada pelo funcionário da CGWC, a empresa responsável pelo lançamento do satélite?
A íntegra.

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