quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Boas notícias, notícias ruins e notícias bobas

Não é uma ideia nova, aqui mesmo em BH já teve um jornal décadas atrás, se não me engano o nome era "Felicíssimo". (Fui checar e descobri que o nome é esse mesmo e que ele chegou à internet.) Tem lógica: notícia ruim atrai notícia ruim e notícia boa pode atrair notícia boa. Vamos ver se esse Só Notícia Boa vai durar ou virar tendência. Pode também virar só notícia boba. Já existe uma "Agência da Boa Notícia", em Fortaleza, funcionando desde 2006. Nos cursos de jornalismo, aprende-se, logo ao entrar, a célebre definição de notícia: "se um cachorro morde um homem, não é notícia; se um homem morde um cachorro, é". Também é aceita com pessimismo pelos veteranos a tese de que notícia ruim é que vende. Mas tem notícia e notícia. Casos de violência policial, por exemplo, como os que temos visto com frequência em São Paulo nos últimos meses, são notícias ruins e "vendem". No entanto, a velha imprensa as trata como coisa normal, sem questionar. Não se pode prescindir de notícias ruins assim sob a pena de se produzir jornalismo bobo. As injustiças precisam ser notícia, como forma de defender quem as sofre, de punir quem as pratica, de corrigir uma situação e evitar que se repitam. Isso é missão do jornalismo desde que existe: vigiar os poderosos e defender os comuns injustiçados. Mas que a velha imprensa se especializa em dar notícias ruins é verdade. Segue simplesmente o lema de que notícia ruim é que vende? Não, tem influência política nisso: nos oito anos do governo Lula, que foi recheado de boas notícias para o País, os "grandes" veículos buscaram sempre um lado ruim para publicar o que era bom. Ou então diminuíram o valor do que era bom e aumentaram a importância do que era ruim. Bom e ruim pode ser relativo: para quem? Para quem só se preocupa em vender, em ganhar mais dinheiro, a notícia ruim, que vende mais, é boa. Assim como, para as elites reacionárias, qualquer notícia boa para o povo, é ruim para elas. Certo -- mas não novo -- é que falta no jornalismo a prevalência da ética, de princípios que não sejam o da simples vendagem de exemplares ou audiência. Nisso a "notícia boa" pode ajudar: procurar mostrar em cada notícia ruim como é que o problema pode ser resolvido, o que pode ser feito, o que pode ser melhorado, mostrar bons exemplos, disseminar esperança, bater-se por um mundo melhor. Em vez de se alimentar do sangue das vítimas das notícias ruins.

Do Comunique-se. 
Criador do "Só Notícia Boa" avalia que ninguém aguenta a "chuva" de matérias negativas 
Mariana Carvalho

Com seis meses desde a sua criação, o saite Só Notícia Boa adotou uma linha editorial de só informar as coisas boas que acontecem no mundo. O idealizador do projeto, o jornalista Rinaldo Oliveira conta que o sucesso do projeto se deve ao fator de coisas boas atraírem mais notícias do mesmo estilo. "Acredito que dinheiro chama dinheiro. E notícia boa chama notícia boa. Assim acontece também com notícias negativas", disse Oliveira ao próprio Só Notícia Boa.
Além de criador do saite, o jornalista é repórter e apresentador da Band Brasília. O jornalista analisa a comunicação atual com ponderação, mas aponta o efeito cascata da notícia como mão de via dupla. Assim como um fato negativo pode desencadear uma série de matérias similares, o oposto também tem seu poder de propagação.
"Não vou aqui criticar o trabalho dos meus colegas, mesmo porque também apresento um telejornal que dá notícias de violência. Mas repare que toda vez que sai uma reportagem sobre bebê abandonado pela mãe, logo surgem outros casos iguais. Por isso o Só Notícia Boa tem o papel de fazer as pessoas compartilharem boas informações e assim, elas mesmas disseminam o bem."
A íntegra.

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