sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Indústria brasileira de armas cresce exportando para África e Ásia

São as contradições dos governos Lula-Dilma: pacifismo com incentivos à indústria bélica. As informações fazem parte de um estudo pioneiro e inédito.

Do Blog do Sakamoto.
Indústria brasileira de armas mira países pobres para crescer
Por Daniel Santini.
A produção nacional de armas leves disparou no final da última década. De 2005 a 2010, as indústrias venderam 8.822.720 unidades, praticamente metade no Brasil (4.339.846) e metade no exterior (4.482.874). Só no mercado interno, as vendas anuais chegaram a mais do que dobrar no período. O número de peças comercializadas no país saltou de 469.097 em 2005, para 831.616 em 2010, incluindo um pico de 1.001.549 em 2009, de acordo com levantamento feito pelo Exército a pedido da reportagem. O valor das exportações também cresceu significativamente. De US$ 109, 6 milhões em 2005, o valor movimentado pelas vendas passou para US$ 293 milhões em 2011, com um pico de US$ 321,6 milhões em 2010, de acordo com dados Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Não há dados referentes à evolução da venda de armas ano a ano no exterior, apenas o total de armas comercializado no período. O setor é marcado pela falta de transparência e as indústrias relutam em repassar dados sobre a produção alegando preocupação com segurança. A fabricação disparou nos últimos anos muito em função de incentivos previstos na Estratégia Nacional de Defesa, promulgada em 2008, e que determinou, entre outras medidas, a criação de linhas de crédito especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O principal conjunto de diretrizes das Forças Armadas determina que o governo incentive exportações e ajude na conquista de novos mercados. Tal política teve início com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi mantida na gestão da presidente Dilma Rousseff. Com apoio do governo, as perspectivas de ganhos são tão altas que até grupos empresariais sem tradição na área criaram linhas de "defesa" para produção de armas, tais como a Odebrecht. A Embraer, que já produz equipamentos militares, aumentou seus investimentos, desenvolvendo o departamento de defesa e associando-se a empresas estrangeiras. O peso desses gigantes pode alterar a configuração do setor, com a instalação de mais fábricas para a produção de armas pesadas, tais como mísseis, submarinos e aviões de combate. Por enquanto, é na venda de armas leves que o Brasil se destaca. O país é considerado o quarto maior exportador do planeta e as indústrias brasileiras traçam metas de conquistar novos mercados e, desta forma, seguir expandindo as linhas de montagem. Reunidos no Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Defesa (Comdefesa), organizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), os industriais organizaram um Grupo de Trabalho de Exportação, que estabeleceu em reunião realizada em fevereiro de 2009 que a prioridade devem ser "países que realmente tenham condições de negociar com as indústrias do setor de defesa brasileiras sem apresentar restrições, exigências, ou mesmo sofrerem imposições de organismos aos quais fazem parte".
A íntegra.

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