segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O esforço para calar a nova imprensa

Do blog da Kika Castro.
A censura em tempos de Internet

Texto de José de Souza Castro
Achava que já havia visto de tudo na relação conflituosa entre políticos e jornalistas e quem mais ousasse criticá-los em qualquer veículo de comunicação. Por isso, me surpreendi com o ato do prefeito de Bom Despacho, Haroldo Queiroz (PDT), sobre quem já escrevi. Confesso que eu temia que ele repetisse o gesto de Brizola contra David Nasser, mas não! Antes de contar o que fez o prefeito, devo recordar para os mais novos o episódio de Brizola. Para isso, recorro ao artigo de Nelson Verón Cadena, publicado há quase quatro anos pelo Portal da Imprensa: "Em 26 de dezembro de 1963 o deputado Leonel Brizola avistou no balcão da Varig, aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, o jornalista David Nasser, diretor de O Cruzeiro. Nasser apenas ouviu o tom exaltado do parlamentar – "Prepara-te para apanhar" – quando recebeu, primeiro um soco no ouvido, depois um murro no queixo que o derrubou. No chão, zonzo, ainda conseguiu ouvir as ameaças do político gaúcho: "Da próxima vez terás que engolir o artigo inteiro". Brizola referia-se a um editorial de duas páginas, publicado na edição de 20 de julho/63 da revista com o título "Resposta a um pulha", um dos mais contundentes textos já publicados na mídia brasileira no século XX contra um homem público. No referido editorial Nasser chama Brizola de "um exemplo trágico de inexorável verdade hereditária" e então esclarece o seu raciocínio: "Na sua ascendência o laboratorista moral poderia encontrar santos, mafiosos, papas e abigeatos. Não creio, entretanto, que nessa pesquisa encontrasse um covarde de sua espécie". Mais adiante define o deputado como "essa coisa que anda, que fala, que ri, que mente, que insulta… de um mussolonismo barato, sem grandeza, porque é a de um "Duce" de esgoto… à espera de uma creolina democrática ou gramatical". É possível que Haroldo Queiroz tenha motivos para não gostar do radialista e blogueiro Rosemberg Rodrigues de Castro, que em seu blog o tem chamado pelo apelido ("Bode") e por outros nomes que nem de perto lembram a verve xingatória de David Nasser, mas que não deixam de ser indigestos para um prefeito que, coitado, já responde a um pedido à Justiça de seu afastamento, feito pelo Ministério Público mineiro, em agosto de 2011, sob acusação de enriquecimento ilícito. É verdade também que, se pudesse, o prefeito provavelmente já teria acabado com o blog de Rosemberg e, melhor ainda, com o blog do vereador Fernando Cabral, do PPS, que lhe faz oposição na Câmara Municipal. O problema do prefeito é que existe na Constituição Brasileira de 1988 um artigo que garante a liberdade de imprensa e de opinião.
A íntegra.

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