sexta-feira, 14 de junho de 2013

Os retrocessos sociais, os sonhos e o PT

Enquanto o Movimento Passe Livre é massacrado pela PM em São Paulo (e em outras cidades) e o prefeito petista Haddad justifica a violência da polícia, é bom pensar sobre o que está escrito abaixo. O PT foi o partido que no Brasil representou o progresso social. No poder caminhou para o centro e compôs com a direita para governar. Foi um avanço em relação a governos anteriores, mas um retrocesso em relação aos seus propósitos e ideais -- aos "sonhos". como diz o artigo. Será capaz ainda de ocupar o espaço das transformações ou perdeu-se definitivamente? Quem ocupará esse espaço?

Do blog Luís Nassif Online via GGN.
Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar. 

Aos que ainda sabem sonhar
André Borges Lopes 
O fundamental não é lutar pelo direito de fumar maconha em paz na sala da sua casa.
O fundamental não é o direito de andar vestida como uma vadia sem ser agredida por machos boçais que acham que têm esse direito porque você está "disponível".
O fundamental não é garantir a opção de um aborto assistido para as mulheres que foram vítimas de estupro ou que correm risco de vida.
O fundamental não é impedir que a internação compulsória de usuários de drogas se transforme em ferramenta de uma política de higienismo social e eliminação estética do que enfeia a cidade.
O fundamental não é lutar contra a venda da pena de morte e da redução da maioridade penal como soluções finais para a violência.
O fundamental não é esculachar os torturadores impunes da ditadura.
O fundamental não é garantir aos indígenas remanescentes o direito à demarcação das suas reservas de terras.
O fundamental não é o aumento de 20 centavos num transporte público que fica a cada dia mais lotado e precário.

O fundamental é que estamos vivendo uma brutal ofensiva do pensamento conservador, que coloca em risco muitas décadas de conquistas civilizatórias da sociedade brasileira.
O fundamental é que sob o manto protetor do "crescimento com redução das desigualdades" fermenta um modelo social que reproduz – agora em escala socialmente ampliada – o que há de pior na sociedade de consumo, individualista ao extremo, competitiva, ostentatória e sem nenhum espaço para a solidariedade.
O fundamental é que a modesta redução da nossa brutal desigualdade social ainda não veio acompanhada por uma esperada redução da violência e da criminalidade, muito pelo contrário. E não há projeto nacional de combate à violência que fuja do discurso meramente repressivo ou da elegia à truculência policial.
A íntegra.

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