quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Agronegócio é exemplo?

Para quem? Por que?

Agronegócio e mineração são atividades econômicas semelhantes: realizadas por grandes empresas, que ocupam grandes extensões territoriais, degradam barbaramente a natureza, empregam pouca gente, exigem do Estado grandes obras de transporte e logística, recebem muitos incentivos fiscais e outros e mandam a produção para o exterior, a preço baixo.
O agronegócio recebe dinheiro do Banco do Brasil com juros subsidiados e carência para comprar máquinas, sementes, agrotóxicos, pagar empregados etc. Tem garantia de venda do seu produto e seguro em caso de imprevistos. O governo garante preço mínimo e se as coisas não vão como esperam, intervém, comprando a produção.
Não se tratam de famílias, de uma grande população rural, mas de algumas centenas de latifundiários milionários.
É para estes que a monocultura exportadora é excelente negócio.
E para os países compradores, que não têm esses produtos e os compram barato -- no caso do agricultura, para alimentação de gente ou gado ou ainda para transformação em produtos mais elaborados, vendidos com maior lucro; no caso da mineração, para transformação em produtos industriais, também revendidos, inclusive para o próprio Brasil, muito mais caros.
E para as três ou quatro grandes empresas de agrotóxicos e sementes, que monopolizam o setor.
O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, o que, em outras palavras, significa que alimentos, terra, água, ar, trabalhadores e até o leite materno no Brasil estão envenenados.
14 venenos proibidos no mundo são usados pelo agronegócio brasileiro. Os interesses do agronegócio e do agrotóxico estão tal forma misturados que melhor seria chamá-lo por um nome só: agrotoxiconegócio.
O Brasil produz cada vez mais grãos de exportação porque tem muita terra fértil, muita água, bom clima. Mas faz isso destruindo a natureza, envenenando a terra, secando os rios, expulsando as populações do campo que vêm viver em favelas nas cidades, cidades absurdamente grandes sem infraestrutura e violentas; faz isso para exportar produtos primários baratos e importar produtos industriais caros.

Por que devemos nos orgulhar disso? Por que isso é um exemplo? Exemplo de subdesenvolvimento? De manutenção eterna do Brasil num modelo econômico colonial?
Bater recordes agrícolas produzindo alimentos saudáveis para alimentar os brasileiros, gerando e distribuindo riquezas, isto sim seria motivo de orgulho, um exemplo para o País e para o mundo.
Note-se que a presidente Dilma não explica por que o agronegócio é um exemplo; no seu argumento, parecem bastar os números recordes, as quantidades absurdas de grãos, as áreas gigantescas plantadas...
O agronegócio mantém fortíssimos lobbies no Congresso que garantem que tudo continue como está, como provou o "novo" Código Florestal. Sua expressão em número de deputados e senadores é centenas de vezes maior do que a população de brasileiros que representam.
Uma demonstração de que não temos democracia, mas uma lobbycracia.
E isso em nome de quê? Do equilíbrio da "balança de pagamentos". Precisamos produzir -- e destruir e envenenar o ambiente, expulsando milhões do campo para as cidades -- cada vez mais café, soja, cana-de-açúcar etc. e minérios para compensar as importações de produtos industriais.
E assim vamos seguindo, cada vez com a natureza mais destruída.
Depois de acabar com a Mata Atlântica e com o Cerrado, o agronegócio agora avança para acabar com a Amazônia. Em mais algumas décadas teremos um País que de uma natureza exuberante transformou-se em deserto, com todas as consequências que isso acarreta, como mudanças climáticas, falta d'água, poluição, terra envenenada. E certamente a queda da produção de grãos e a falência do modelo agroexportador.
É o exemplo que o agronegócio nos dá.
Se até o governo do PT pensa isso, o que esperar de partidos à direita dele?

Nos últimos onze anos, o debate no Brasil foi limitado pelos ataques feitos aos governos do PT pela "grande" imprensa, partidos de direita, entidades corporativas das elites e representantes do Judiciário, como o atual presidente do STF.
Diante do comportamento protofascista dessa oposição, pessoas de bem, de esquerda, progressistas, que têm a cabeça no lugar ou simplesmente jornalistas dignos da profissão tiveram de reagir, defendendo-o.
Entre o PT e a direita raivosa, preconceituosa, que defende privilégios e retrocessos, é impossível não ficar com o primeiro.
Nesse embate, porém, que tomou ares do bem contra o mal -- e ressuscitou uma coisa que parecia estar enterrada, a Guerra Fria, o confronto entre capitalistas e comunistas (veja-se, por exemplo, o anacrônico editorial do Estadão, a propósito do programa Mais Médicos) --, perdeu-se o que o jornalismo tem de melhor: a informação crítica, a vigília do governo em nome da população, apresentação de pontos de vista diferentes, de caminhos, a informação correta e honesta.
É esse jornalismo que dignifica a liberdade de imprensa, um dos direitos democráticos pelos quais a humanidade luta há mais de duzentos anos e que ajuda a construir um mundo melhor.

Do Portal Brasil.
Dilma: tenho certeza que o agronegócio é um exemplo para o país
A presidenta Dilma Rousseff esteve em Lucas do Rio Verde (MT) nesta terça-feira (11/2/14) para abertura da Safra 2013/2014. Além do lançamento da safra, o evento é uma comemoração aos bons resultados da agricultura brasileira no último ano.Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos deve chegar a 193,9 milhões de toneladas neste ano, o que representa um aumento de 3,6% em relação a safra anterior.
A presidenta comemorou esta perspectiva. "Em relação ao que obtivemos antes (em anos anteriores) esta é uma vitória para o agronegócio no Brasil. Essa vitória é o que nós estamos celebrando hoje aqui. É por isso que eu vim aqui, com todo empenho, porque eu sei o quanto este resultado é importante para o nosso país. O quanto o Brasil pode ganhar com esse processo. No presente estamos ganhando, e o potencial que nós temos no futuro é muito maior", destacou Dilma Roussef.
A íntegra.

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