quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Religião e política

Da série "para que servem as câmaras municipais". Ou da série "para que serve a polícia militar". Ou ainda da série "candidatos a Hitler". Ou ainda da série "intolerância religiosa está crescendo?"
Os fatos são que o vereador se considera o máximo e como grande parte das autoridadezinhas do País exerce um poder que não tem. A PM, que serve para as funções que deveria cumprir, a segurança da população, intervém no plenário do Legislativo para obedecer a uma ordem inconstitucional. Na foto se vê o luxo da Câmara de Piracicapa, como acontece com quase todas, como se vê também o guarda da câmara armado, outra prática comum no País, o policiamento armado. Não é à toa que a polícia mata tanto, muitas vezes inocentes. Religiões estão sendo usadas para fazer política; diante do crescimento dos evangélicos, que agora têm pastores em todo governo, a igreja católica se torna mais intolerante, como o padre que expulsou a moça de bermuda da missa em Nova Serrana. O eleitorado, sabiamene, recusa essa intromissão da religião na política, como aconteceu na eleição para a prefeitura de São Paulo, em que pastores -- inclusive o dono da concessão pública da Rede Record -- recomendaram voto contra Haddad, mas foram ignorados. Misturar religião e política é uma prática da direita protofascista tão atrasada quanto as câmaras de vereadores. Em tempos de internet não precisamos desses chefetes que não representam o eleitorado e trabalham para lobbies e em benefício próprio. A moralização do Legislativo pode começar eliminando salários e benefícios dos vereadores, transformando a função em trabalho voluntário -- qual deles continuaria lá nessas condições?
PS: Também em Piracicaba, um travesti foi eleito vereador e ameaçado de morte.



Do Pragmatismo Político, 30 out 2012; foto: Jornal de Piracicaba
Servidor que não ficou em pé para leitura da bíblia é expulso de Câmara de Vereadores 
Servidor é expulso da Câmara de Vereadores de Piracicaba por se recusar a ficar em pé durante leitura da Bíblia. Medida é afronta a Estado laico, diz OAB.
O funcionário do Ministério Público em Piracicaba (SP), Regis Montero, foi expulso do plenário da Câmara na noite desta segunda-feira (29) por não ficar em pé durante a leitura de um trecho da Bíblia. A sessão chegou a ser interrompida pelo presidente do Legislativo João Manuel dos Santos (PTB) para a retirada do servidor, que foi levado pelo braço por um policial militar e por um guarda municipal. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considera o ato inconstitucional.
Em imagens disponibilizadas no site da Câmara, o vereador André Bandeira (PSDB) começa a leitura da Bíblia quando foi interrompido pelo presidente da Casa. Santos pediu que o servidor que estava sentado ficasse em pé durante o ato ou que se retirasse. Após uma discussão, o manifestante foi expulso à força do prédio.
O presidente da Câmara afirmou que apenas cumpriu o Regimento Interno da Casa. Ele nega que o ato de retirar o servidor tenha sido inconstitucional. Já o diretor jurídico do Legislativo de Piracicaba, Robson Soares, disse que Montero fazia 'baderna' e que 'tumultuava' a sessão naquele dia. “O ato da leitura bíblica está no artigo n° 121 do Regimento Interno. É algo presente nas sessões desde a criação do Legislativo piracicabano. Não obrigamos ninguém a acompanhar a leitura, mas que essa pessoa respeite as regras da Casa ou que se retire", afirmou Soares.
A íntegra.

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