segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O "mensalão" gaúcho

Desde que a Folha convencionou chamar de "mensalão" a prática de caixa 2, o nome serve para qualquer tipo de corrupção. E "mensalões" há em toda parte, diria o poeta -- ou o publicitário --, mas só um interessa à "grande" imprensa e à justiça. Este aguarda julgamento há 16 anos. Aguarda também interesse da imprensa. Por que será? O único punido foi o (pequeno) jornal que contou a história. Representante da SIP, a associação interamericana dos jornalões, censurou matérias sobre o assunto. 

Do Observatório da Imprensa.
A mídia e a justiça de duas caras 
Por Luiz Cláudio Cunha
O jornal JÁ contou que, em março de 1987, o líder do governo do PMDB na Assembleia gaúcha, deputado caxiense Germano Rigotto, forçou a criação do cargo de "assistente da diretoria financeira" na CEEE, contrariando a determinação do governador Pedro Simon de austeridade total na empresa, que acumulava dividas de US$ 1,8 bilhão.
Acomodou-se lá Lindomar Rigotto, irmão do deputado. "Era um pleito político da base do PMDB de Caxias do Sul", reconheceu o secretário de Minas e Energia da época, Alcides Saldanha, na CPI instalada em 1995, no governo Antônio Britto. Na administração anterior, no governo Alceu Collares, a investigação ganhou eletricidade quando a sindicância interna da CEEE foi remetida, em dezembro de 1994, à Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE) pela espantada secretária de Minas e Energia: "Eu nunca tinha visto nada igual", confessou diante de tantos malfeitos a economista Dilma Rousseff, no início de uma carreira política que 16 anos depois a levaria ao Palácio do Planalto.
O Rio Grande nunca viu uma CPI como aquela. Foi a primeira comissão parlamentar, entre as 139 criadas no estado desde 1947, que apontou os nomes de corruptores e corruptos. Foram denunciadas 11 marcas famosas (Camargo Correa, Alstom, Brown Boveri, Coemsa, Lorenzetti, entre outras) e 13 funcionários importantes, com destaque para Lindomar Rigotto, citado em 13 depoimentos como a figura central da organização criminosa.
Está lá no relatório final: "De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto", escreveu o relator, deputado petista e ex-prefeito caxiense Pepe Vargas, primo de Lindomar e Germano Rigotto e atual ministro da Desenvolvimento Agrário do governo Dilma Rousseff.
A íntegra.

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