segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Dilma, a forte"

Até a imprensa estrangeira retrata o julgamento do "mensalão" como um processo político que condenou petistas sem provas, como mostra esta entrevista da presidente Dilma ao jornal espanhol El País.

Da Agência Carta Maior.
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Najla Passos
Duras críticas à política econômica europeia, aliadas à defesa do modelo brasileiro de desenvolvimento com inclusão social, marcaram a entrevista da presidenta Dilma Rousseff em destaque no El País, neste domingo (18/11/12). "Distribuir renda é uma exigência moral, mas também uma premissa para o crescimento", defendeu. Ela também falou sobre à oposição da mídia brasileira ao seu governo: "O povo não se deixa manipular em absoluto". E, pela primeira vez, sobre o julgamento do "mensalão". "Como presidente da República, não posso me manifestar sobre as decisões do STF. Acato suas sentenças, não as discuto. Mas isso não significa que nada neste mundo de Deus está acima dos erros e das paixões humanas."
O repórter também questionou a presidenta sobre as dificuldades que a mídia tradicional e o que ele chamou de "os novos sistemas de opinião pública", as redes sociais, impõem a quem ocupa o poder. Dilma reiterou seu conceito de "liberdade de imprensa", mas assegurou que nem governo e nem sociedade se deixam mais influenciar pela imprensa como ocorria antes. "Sempre digo que a imprensa brasiliera comete excessos, mas os prefiro ao silêncio da ditadura. De qualquer maneira, no país já não existe algo que era tradicional entre nós: o formador de opinião. Há 10 anos tomamos as decisões políticas em função do que beneficia aos brasileiros, e não por preocupações ideológicas de qualquer tipo. O povo não se deixa manipular em absoluto", avaliou. Dilma lembrou ao repórter que não contou com o apoio da imprensa durante a campanha presidencial, mas ainda sim conquistou 56% dos votos. Em um momento anterior da entrevista, o próprio repórter observou que seu governo conta com mais de 70% da aprovação dos brasileiros, índice maior do que contava seu antecessor e mentor político, o ex-presidente Lula. Ele citou também que a imprensa internacional considera Dilma uma das três mulheres mais poderosas do mundo, ao lado da chanceler alemã Angela Merkel e da secretária de Estado norteamericana, Hillary Clinton.
Embora publicada no domingo, a entrevista "Dilma, a forte" foi feita no último dia 12, quando o STF definiu às duras penas impostas às lideranças petistas acusadas de envolvimento no "mensalão". O repórter a questionou sobre a condenção do ex-ministro José Dirceu, seu antecessor no comando da Casa Civil do governo Lula e um dos fundadores do seu partido. E, na entrevista, teve o cuidado de lembrar seus leitores de que Dirceu assegura ter sido condenado sem provas, em um julgamento eivado de interesses políticos e sob uma forte campanha midiática contra os acusados, cujo objetivo seria desgastar a figura do ex-presidente Lula.
Dilma, primeiro, destacou o esforço feito pelo governo Lula para combater a corrupção. "Poucos governos fiszeram tanto pelo controle do gasto público como o do presidente Lula. Abrimos o Portal da Transparência com todas as contas públicas ao alcance de quem quiser consultá-las. Também fizemos uma Lei de Acesso à Informação que obriga a divulgar os salários dos dirigentes", afirmou. A presidenta mostrou seu empenho em combater a corrupção, não só na esfera pública como também na privada. "Sou radicalmente a favor de combater a corrupção, não só por uma questão ética, mas também por um critério político. (…) Um governo é dez mil vezes mais eficiente quanto mais controla, mais fiscaliza e mais impede [a corrupção]", acrescentou.
A presidenta disse também que, como tal, não pode questionar as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, não avalizou as condenações feitas pela mais alta corte brasileira. "Como presidente da República, não posso me manifestar sobre as decisões do STF. Acato suas sentenças, não as discuto. Mas isso não significa que nada neste mundo de Deus está acima dos erros e das paixões humanas", ressaltou Dilma. "As paixões humanas e as políticas", apontou o jornalista. "Talvez, estas [políticas] sejam as maiores", acrescentou ela.
A íntegra.

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