sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O anti-Lula

Um bom artigo sobre Barbosão. A gente torceu intimamente pelo primeiro ministro negro do STF, assim como torceu pelo primeiro operário e pela primeira mulher presidentes. Porque as mulheres foram historicamente subalternas na sociedade machista, porque trabalhadores foram sempre explorados e humilhados, porque os africanos chegaram ao Brasil como escravos e, depois da abolição, seus descendentes continuaram formando as camadas mais pobres da população. Dilma faz um governo digno, Lula superou todas as expectativas. Quem acha que somos todos iguais, que diferenças de cor, sexo, religião e posição social não definem a essência do ser humano, torceu por Barbosão. E então ele se prestou a fazer o papel de capitão do mato e servir às elites reacionárias da casa-grande em troca de capas de revista. O anti-Lula.

Da Agência Carta Maior.
E agora Joaquim? A encruzilhada de um juiz
Por Saul Leblon
Joaquim Barbosa assumiu a presidência de uma Suprema Corte manchada pela nódoa de um julgamento político conduzido contra lideranças importantes da esquerda brasileira.
Monocraticamente, como avocou e demonstrou inúmeras vezes, mas sempre com o apoio indutor da mídia conservadora, e de seu jogral togado -- à exceção corajosa do ministro Ricardo Lewandowski, Barbosa fez o trabalho como e quando mais desfrutável ele se apresentava aos interesses historicamente retrógrados da sociedade brasileira -- os mesmos cuja tradição egressa da casa-grande deixaram cicatrizes fundas no meio de origem do primeiro ministro negro do Supremo.
Não será a primeira vez que diferenças históricas se dissolvem no liquidificador da vida.
Eficiente no uso do relho, Barbosa posicionou o calendário dos julgamentos para os holofotes da boca de urna no pleito municipal de 2012.
Provas foram elididas; conceitos estuprados ao abrigo tolerante dos doutos rábulas das redações --o famoso "domínio do fato"; circunstâncias atropeladas; personagens egressos do governo FHC, acobertados em processos paralelos, mantidos sob sigilo inquebrantável, por determinação monocrática de Barbosa (leia: "Policarpo & Gurgel: ruídos na sinfonia dos contentes"); tudo para preservar a coerência formal do enredo, há sete anos preconcebido.Arriadas as bandeiras da festa condenatória, esgotadas as genuflexões da posse solene desta 5ª feira, o espelho da história perguntará nesta noite e a cada manhã ao juiz da suprema instância: -- E agora Joaquim?
O mesmo relho, o mesmo "domínio do fato", o mesmo atropelo da inocência presumida, a mesma pressa condenatória orientarão o julgamento da Ação Penal 536 -- vulgo "mensalão mineiro"?
Coube a Genoíno, já condenado -- e também ao presidente nacional do PT, Rui Falcão -- fixar aquela que deve ser a posição de princípio da opinião democrática e progressista diante da encruzilhada de Barbosa: "Não quero para os tucanos o julgamento injusto imposto ao PT", fixou sem hesitação o ex-guerrilheiro do Araguaia, no que é subscrito por Carta Maior.
A íntegra.

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