segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A "grande" imprensa, a direita e o caixa 2

O trecho abaixo está no artigo de Emiliano José sobre o recém-lançado livro do jornalista Paulo Moreira Leite "A mulher que era o general da casa", que traça perfis de oposicionistas da ditadura (1964-1985). Nunca é demais lembrar que o golpe de 64 foi preparado com dinheiro distribuído pelo governo americano a políticos brasileiros de direita -- o famoso caixa 2. A articulação do embaixador Lincoln Gordon e o aval do presidente John Kennedy está documentada. Pra se ver como a coisa faz parte do sistema e como a "grande" imprensa -- apoiadora do golpe -- é hipócrita. E os únicos políticos punidos por essa prática até hoje foram os do PT. Por que será?

Da Carta Capital.
O papel dos EUA no golpe
Emiliano José
Ninguém tem mais dúvidas de que os EUA patrocinaram com muito gosto o golpe militar de 1964. Atendendo pedido do embaixador Lincoln Gordon, o presidente Lyndon Johnson reconheceu a ditadura instalada já no dia 1º de abril de 1964, com um telegrama de calorosas saudações aos golpistas. A 7 de abril de 1964, o New York Times dizia, em editorial, ser difícil saber quem estaria mais satisfeito com a queda de Goulart: se os brasileiros ou o Departamento de Estado do governo americano. O sinal verde para o golpe militar fora dado por Kennedy, numa reunião realizada na Casa Branca em 30 de junho de 1962, com a participação do presidente, de Lincoln Gordon, e de Richard Goodwin.
Kennedy mandou ainda que se providenciasse dinheiro para as ações golpistas, para ajudar os partidos de oposição nas eleições. Para esse caixa, evidentemente um caixa dois, Lincoln Gordon pediu oito milhões de dólares, logo deixando claro que não seria possível esperar uma prestação de contas rigorosa. Ele sabia em que mãos o dinheiro cairia. O udenismo, de discurso moralista, ontem como hoje, nunca primara por qualquer cuidado com o dinheiro que lhe caísse à mão. Kennedy achou a conta muito alta, e fechou o acordo em cinco milhões.
Na reunião de 1962, Richard Goodwin fortaleceu a solicitação de Lincoln Gordon, lembrando o precedente da ajuda milionária do governo americano à democracia cristã na Itália, indispensável para vencer o PCI nas eleições do pós-guerra. Logo após a reunião, nomeou-se um novo adido militar na embaixada brasileira, o coronel Vernon Walters, experiente militar golpista, que conhecia os militares que iriam dirigir o golpe desde a campanha da Itália, na Segunda Guerra. Tudo combinado. E em 1964 se iniciava a longa noite de terror, que durou 21 anos – de 1964 a 1985. Com a participação decisiva de Lincoln Gordon, sob a orientação direta do governo americano.
O querido amigo, companheiro, agora vereador por Salvador, Waldir Pires, quando lhe perguntam sobre o "mensalão", este que imputaram ao PT, diz que já o conhecia desde há muito. Sabia do dinheiro que havia irrigado o Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o Ipes (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais). Essas entidades, nitidamente golpistas, se parecem, sem tirar nem pôr, com as atividades do atual Instituto Millenium, dirigido por empresários e jornalistas ligados à nossa velha mídia, que procuram requentar notícias já ultrapassadas, todas destinadas a minar a extraordinária popularidade do ex-presidente Lula.
A íntegra.

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