quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A desqualificação da política é uma arma da direita

Artigo interessante do Emir Sader. Por representar uma minoria rica, os partidos de direita vivem um eterno dilema: não podem dizer o que pensam nem o que querem ou não receberão os votos das maiorias pobres que decidem eleição. Não à toa nos países "subdesenvolvidos", como o Brasil, ditaduras e golpes de Estado são frequentes, porque só pela força o capital se mantém no poder. Na democracia representativa, os ricos têm de fazer acordos com partidos populares, como o PT. Quem está ajustando as economias dos países ricos nesta crise que começou em 2008 não são partidos de direita, mas socialistas, trabalhistas e os democratas americanos. Ideologias fascistas foram outra forma de o capital conquistar as massas. A ascensão dos demotucanos foi episódica e não deve se repetir, porque o PT demonstrou ser mais eficiente. Mas a direita lança mão de todos os recursos de que dispõe para voltar ao poder ou pelos menos enfraquecer a esquerda e negociar. A formação das mentes pelos meios de comunicação é talvez seu instrumento mais poderoso e uma boa estratégia é desqualificar a esquerda. Foi assim no episódio do chamado mensalão, que até hoje é argumento de muita gente que se considera informada. Informada por quem? Pelos meios de comunicação de direita. O objetivo é convencer a população de que a esquerda é tão ruim quanto a direita. Trata-se de desqualificar todos os políticos, disseminar o ceticismo e a desilusão, como mostra Sader. Se todos são farinha do mesmo saco, tanto faz votar em um ou em outro. Ou não votar. Importante é afastar a diferenciação entre direita e esquerda e não deixar que a esquerda monopolize as qualidades – pelo menos as qualidades que ganham os votos dos mais pobres. O passo seguinte é inflar um candidato "limpo", com qualidades individuais, um salvador carismático – como Jânio Quadros, em 1960, e Collor, em 1989.

Da Agência Carta Maior.
De céticos a cínicos
O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção. Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria. Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.
A íntegra.

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