sábado, 26 de abril de 2014

BH, a cidade que perdeu o respeito

Belo Horizonte não tem mais horário de descanso. A administração Lacerda aboliu isso. Quando não ignora as infrações à lei, dá ela mesma o exemplo.
Às cinco horas da manhã começa o barulho: caminhões de construção civil, caminhões de caçamba, homens gritando, alarmes de ré tocando e outras máquinas... O dia ainda está escuro e a barulheira começa, sem qualquer pudor. Isto não significa que tenha havido silêncio até esse horário: durante toda a noite alarmes dispararam, buzinas foram tocadas, motos aceleraram, grandes ônibus fizeram rugir seus motores, carrões passaram com seus sons potentes. Às nove da noite, quando o trânsito acalma, máquinas da prefeitura iniciam obras, lambretas de baiano abrem buracos no asfalto. À meia-noite passa o caminhão do lixo, com seu motor barulhento e seus lixeiros gritando. Torcedores que estão sempre comemorando a derrota do time adversário gritam nas janelas e circulam tocando buzinas e hinos. Respeito é uma palavra que desapareceu da vida urbana.
Nunca é demais lembrar que o prefeito -- o alcaide, o xerife -- não mora na cidade, mora em um condomínio em outro município, num recanto sossegado, bucólico, silencioso, cercado, protegido das violências que ele impõe aos cidadãos que governa. 

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