segunda-feira, 28 de abril de 2014

Por que o PT não enfrenta a velha imprensa?

"Se adotar a tática do 'diálogo' com a mídia e os piores inimigos, o PT – em vez de um passo à frente, com vitórias em Estados importantes – pode colher uma derrota definitiva."
"A velha mídia é sócia dos tucanos num projeto político conservador. O PT – apesar de suas fragilidades e inconsistências crescentes – é a ferramenta disponível para os que lutam por barrar a direita e aprofundar as reformas sociais no Brasil."
"Se insistir nos 'almoços', o PT pode virar a sobremesa. Com as cabeças de Dilma / Lula / Padilha / Dirceu e de toda a esquerda servidas na bandeja, e expostas nas manchetes dos jornais e telejornais inimigos nos dias e meses seguintes à eleição."

Boa análise sobre as relações do PT e seus governos com a imprensa protofascista.

Do blog Escrevinhador. 
Padilha e o "diálogo" com a imprensa: até onde vão as ilusões petistas? 
Rodrigo Vianna

O PT deveria ter aprendido – com Lula – que esses almoços com representantes da velha mídia não servem pra nada. O então candidato petista foi à sede da “Folha”, em 2002. Lá pelas tantas, o herdeiro do jornal, Otavinho Frias, fez uma insinuação de que Lula não estaria preparado para ser presidente porque não sabia falar inglês. Lula levantou-se e foi embora. O velho Frias (que emprestava carros para torturadores durante a ditadura, mas não era tolo a ponto de confrontar um futuro presidente) saiu andando atrás do candidato, tentando se desculpar pela arrogância do filho.
Lula jamais se vingou dos Frias. Olhou pra frente. Errou? Teve a chance, também, de enterrar a Globo – endividada em 2003. Não avançou nisso. Aliás, presidente eleito, foi para a bancada do JN ao lado de Bonner. Alguém imaginaria Brizola, eleito, na bancada do JN? Alguns dirão: por isso que Brizola jamais foi presidente. Talvez, tenham razão…
Mas o PT seguiu apanhando e confraternizando-se com a velha mídia. Dilma foi fazer omelete com Ana Maria Braga em 2011. E disse que a questão da Comunicação no Brasil se resolvia com controle remoto.
Haddad, eleito depois de uma campanha em que meios digitais tiveram papel decisivo na capital paulista, mandou dizer pouco antes da posse que Comunicação era um assunto em que não cabia debate sobre políticas públicas. Pôs no cargo de secretário um jornalista que imagina resolver todos problemas com telefonemas para as redações da Folha e Estadão. Haddad chegou a dizer que esperava uma "normalização" das relações com a mídia. Foi cozido e fritado por ela.
Padilha começou sua campanha a governador de São Paulo com caravanas pelo interior – transmitidas pela internet. Boa novidade. Mas também adotou a "tática" (!) dos almoços em jornais, pensando em criar (quem sabe) um clima de camaradagem com personagens do quilate dos Mesquita e dos Frias. Recentemente, ouvi de um alto dirigente do PT (foi conversa em off, não posso por isso revelar detalhes) que o partido não abre mão de "dialogar com todos os setores da imprensa" na campanha para o governo de São Paulo.
Sei… Gostaria de saber o que esse petista graúdo acha do "diálogo" estabelecido entre os jornais e Padilha na última semana. Diálogo bastante interessante.
O ex-ministro foi submetido a uma operação de guerra. A tentativa é de abatê-lo em pleno voo, antes mesmo da campanha começar. Os aliados midiáticos dos tucanos perceberam a fragilidade de Alckmin num momento em que São Paulo está na iminência de ficar sem água por falta de planejamento dos governos do PSDB. No dia em que Padilha iria pra TV falar da seca, os jornais vieram com o ataque coordenado contra o petista.
As manchetes seriam a sobremesa do almoço recente de Padilha com representantes da família Mesquita?
A íntegra.

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