segunda-feira, 16 de julho de 2012

Como a ditadura brasileira ajudou o golpe no Chile

Mais uma dos tempos da ditadura. Governo dos EUA, militares latino-americanos, grandes empresas, igreja católica... Sempre soubemos que todos são uma coisa só. Por que essa gente, décadas depois, continua bloqueando a verdade? Documentos só confirmam o que todos sabemos. Para a direita, não bastam os crimes e a impunidade, ela também quer que a história seja contada do seu jeito.

Da Agência Carta Maior.
Ditadura brasileira soube do golpe contra Allende um mês antes
Najla Passos
Brasília -- Documentos secretos do Itamaraty, agora abertos à consulta pública no Arquivo Nacional, comprovam que a ditadura brasileira sabia que iria ocorrer um golpe de estado no Chile mais de um mês antes do presidente Salvador Allende ser deposto, em 13 de setembro de 1973. E reforçam a tese defendida por pesquisadores da Operação Condor de que os militares brasileiros e seus aliados civis foram, ao lado dos Estados Unidos, os principais articuladores do golpe que derrubou o primeiro presidente socialista eleito pelo voto popular no mundo.
Os documentos foram produzidos pelo Centro de Informações do Exterior (Ciex), o serviço secreto criado pelo Itamaraty em 1966 para auxiliar a ditadura brasileira a combater o chamado “perigo vermelho”. Além de demonstrarem a proximidade entre a diplomacia brasileira e os militares golpistas chilenos, revelam que os exilados e banidos brasileiros no Chile tiveram todos seus passos monitorados pelo Ciex, a serviço do Serviço Nacional de Informação (SNI), o temido órgão central de inteligência do governo ditatorial.
No dia 8 de agosto de 1973, 35 dias antes do golpe, o Informe nº 389, não assinado, alertava a ditadura brasileira de que os altos chefes militares chilenos haviam realizada uma reunião secreta, seis dias antes, na base aérea El Bosque, em Santiago, para examinar "as várias medidas adotadas pelos militares brasileiros quando da revolução de 31 de março de 1964, a fim de determinar em que tal experiência poderia ser útil ao Chile". Conforme o documento, eles discutiram também a conjuntura chilena e o papel das forças armadas do país perante a crise.
Pelo relato do Ciex, estiveram presentes à reunião o comandante-chefe da Força Aérea Chilena, general-aviador Cesar Ruiz, o comandante da 1ª Zona Naval, Ernesto Jobet, representando o vice-almirante José Turíbio, e o diretor da Aviação Naval, comandante Ernesto Huber Von Hapen, além de diversos oficiais reformados da Marinha e da Aeronáutica. Ruiz havia afirmado que o Chile "estava sob o fio da navalha" e que a adesão a um possível golpe militar se alastrava pelas forças armadas.
A íntegra.

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