terça-feira, 31 de julho de 2012

A estátua do ditador

Nem tudo está perdido, quando jovens fazem justiça histórica e velhos jornalistas da outrora "grande" imprensa lhes dão razão.

Do Diário do Centro do Mundo.
O general esculachado
Paulo Nogueira 

Sejamos diretos: que sentido existe em erigir uma estátua para Castelo Branco, o primeiro general no poder durante a ditadura militar?
Castelo Branco, essencialmente, ajudou a derrubar, em 1964, um regime eleito pelos brasileiros. João Goulart assumira a presidência depois da renúncia de Jânio Quadros, e num golpe de estado foi substituído em 1964 por um general que jamais recebeu um voto na vida.
Uma estátua para ele?
Ponto para os ativistas que promoveram um “esculacho” na estátua de Castelo no Rio de Janeiro. Imite os bons e você será um deles, escreveu Sêneca. Pois nossos esculachadores se inspiraram no exemplo de ativistas que têm promovido um “escracho” em símbolos de ditaduras em países como Argentina e Chile.
Qualquer um pode erguer uma estátua. Mas só o povo tem o poder de consagrá-la, ignorá-la ou até destruí-la. Em Londres, uma estátua de Margareth Thatcher foi decapitada em 2003. 
Cheers!
Sob apoio do conservadorismo brasileiro – representado por políticos como Carlos Lacerda e por toda a grande mídia — e dos Estados Unidos (pelas mãos da famigerada CIA), a administração militar brasileira comandou uma espetacular concentração de renda sob o pretexto de “modernizar” a economia. O economista-chefe da ditadura, Delfim Netto, alegava que o bolo tinha que crescer antes de ser dividido. O problema era que o momento da divisão jamais chegou para os desfavorecidos sob os militares.
Sequer reclamar eles podiam, pois as greves foram proibidas. Nos subterrâneos, foram perseguidas, torturadas e mortas pessoas que, como Dilma quando universitária, reagiram ao golpe. Os insurgentes eram, em geral, jovens cultivados intelectualmente e bem intencionados, dispostos a morrer – e a matar — pela causa. Gosto da definição de Luís Carlos Prestes, o lendário líder comunista brasileiro: os guerrilheiros eram “patriotas equivocados”. (Prestes e o Partido Comunista não apoiaram a luta armada.)
Uma estátua para Castelo Branco?
Não fosse o brasileiro tão cordial, ela teria sido decapitada há muito tempo, como aconteceu com a estátua de Thatcher. Ainda que tardio, o esculacho deve ser aplaudido.
Não é revanchismo. É justiça.

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