sábado, 11 de outubro de 2014

A questão das pesquisas

Uma das pragas da democracia representativa são as pesquisas. Para que é que servem, ninguém sabe. Como funcionam, muito menos. E quem já foi entrevistado por uma? É raro encontrar alguém.
No entanto, o noticiário da imprensa é praticamente baseado nelas.
Os erros são clamorosos, mas fica por isso mesmo. Como os das vésperas do primeiro turno. Não há explicações.
O fato de ocuparem e direcionarem o noticiário é um indício da sua motivação.
Quando interessa, a pesquisa -- como esta do desconhecido e de má fama instituto Paraná -- é difundida, quando não interessa, é ignorada.
Em Minas Gerais, as pesquisas davam Anastasia como eleito senador e Josué sem a menor chance. Não foi bem assim: Josué -- que afinal era o candidato do vencedor Pimentel -- chegou a 40% e Anastasia -- da chapa dos perdedores Pimenta e Aécio -- não chegou aos 60%.
Em SP, Padilha, do PT, dobrou sua votação em relação às pesquisas.
É inegável que as pesquisas servem de propaganda de candidatos e influenciam muito votos a favor deles, do "vencedor", do "favoritaço".
Deveriam ser usadas pela imprensa e divulgadas com parcimônia e cautela, não como propaganda.

Do DCM.
O estranho caso da estranha pesquisa do Instituto Paraná
Por Kiko Nogueira
Os institutos de pesquisa deixaram sua marca indelével nestas eleições. Ibope e Datafolha deram, até os 45 do segundo tempo do primeiro turno, um empate técnico emocionante entre Marina Silva e Aécio Neves na segunda colocação.
Na véspera do dia da votação, o Datafolha cravou que Dilma Rousseff obteria 44% dos votos válidos, Aécio Neves, 24%, e Marina, 22%. Segundo o Ibope, o resultado era 46%, 24 e 27%.
Como se sabe, a realidade trouxe outro cenário. Dilma com 41,59%, Aécio com surpreendentes 33,55% e Marina com 21,32%. Ainda não se ouviu uma explicação convincente.
Por isso, foi vista com vários pés atrás, para dizer o mínimo, a pesquisa do Instituto Paraná, divulgada nesta semana pela revista Época. Aécio teria 54% dos votos válidos, contra 46% para Dilma.
Quer dizer, a desconfiança se devia não apenas aos equívocos de Ibope e Datafolha, mas porque 1) ninguém nunca tinha ouvido falar do instituto Paraná; 2) quem ouviu falar tinha motivos para não levar muito a sério.
A empresa existe, na verdade. Registrou a pesquisa no TSE. Foram ouvidos 2080 pessoas de 152 municípios entre 6 e 8 de outubro. Oito estados ficaram inexplicavelmente de fora. Custou 62 mil reais. E a Época não consta como contratante.
A íntegra.

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