segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mais um debate

Por dever de ofício, jornalistas acompanham. Por dever de ofício e curiosidade, eu leio, mas o que me pergunto, como cidadão e eleitor, é para que servem esses debates.
Parece que ninguém os quer, mas todos -- emissoras e candidatos -- os aceitam.
Quer dizer, todos, exceto quem interessa: o eleitor.
Qual é a assistência de um debate desses, é o que gostaria de saber. Quantos veem até o fim? Quantos decidem seu voto por eles?
Os debates não fazem parte da propaganda eleitoral obrigatória -- por que existem então?
Houve uma época, no começo, em que eram sensação, novidade, tinham grande audiência e decidiam eleição (1989) -- hoje é uma chatice e têm pouca audiência.
As televisões parecem realizá-los por obrigação -- se têm audiência menor do que o programa do horário, vão é perder publico e publicidade.
Por isso os põem em horários proibitivos, como domingo a partir das 22h.
Elas também os realizam com o evidente objetivo político de ajudar um candidato e prejudicar outro, seja no próprio debate, seja na sua repercussão depois -- cito mais uma vez o debate entre Lula e Collor em 89.
Desde então todo mundo sabe que não importa quem "ganhou" o debate, mas quem faz mais barulho dizendo que o ganhou.
Em 1989, a Globo reeditou o debate para o Jornal Nacional (o primeiro, para o jornal Hoje, era, digamos, imparcial) para mostrar como Collor tinha massacrado Lula e "ganhado".
Uma emissora faz, as outras têm que fazer também, e assim os debates se tornam o centro da campanha, dia sim, dia não.
Não seria mais razoável um único debate, transmitido por todas as emissoras e rádios?
Não seria mais razoável que o debate fosse de ideias e de informações, em vez de retórica e acusações?
Não seria mais razoável que o debate fosse uma sabatina feita por jornalistas e eleitores?
O que me parece certo é que esse modelo de debates na televisão está esgotado, não atrai público e não faz mais sentido. Talvez estejamos falando dos últimos.
Duvido que em caso de -- os eleitores nos livrem! -- vitória da oposição, as televisões se disponham a oferecer uma tribuna assim ao PT para atacar o presidente, na eleição de 2018.
Da mesma forma que -- e espero que seja esta a situação daqui a uma semana -- o governo petista deverá rever sua posição de, em nome da liberdade do mercado, aceitar ser massacrado diariamente por uma imprensa oligárquica e monopolizada, que se transformou em partido de oposição e não mais informa, ao contrário, manipula abertamente a opinião pública.

Do blog Escrevinhador. 
Aécio "arrogante" x Dilma "técnica": a petista saiu-se melhor na Record 
Por Rodrigo Vianna, outubro 20, 2014 00:45

A primeira constatação é óbvia: Dilma e Aécio estavam calminhos na Record, depois da pancadaria no SBT.
Aécio, especialmente, tentou se controlar porque as pesquisas qualitativas devem ter mostrado: a agressividade desmedida contra Dilma pegou mal pra ele. Ficou com a pecha de autoritário, de não conseguir tratar mulher de igual pra igual (aliás, uma das pérolas do tucano foi dizer que “creche é o que de mais importante pode existir para a mulher”; deixou escapar que, pra ele, “mulher” é só a mãe e dona-de-casa; Freud explica).
Apesar de todo treinamento, os marqueteiros não conseguiram tirar de Aécio algo que é quase um vício: o sorriso  sarcástico, de canto de boca, passa a impressão de alguma arrogância, de deboche e desprezo. Isso deve agradar o eleitor que já odeia o PT, e sonha em ver Dilma “esmagada”. Mas é um tiro no pé, afasta os indecisos.
Alguns jornalistas notaram – também – um outro vício do tucano. José Roberto de Toledo, do Estadão, falou pelo twitter: “Alguém podia dizer para o Aécio que dá para ouvir ele fungando o tempo todo. Deve estar resfriado, sei lá, mas incomoda”.
Por que Aécio “fungou” tanto? Foi o esforço para evitar a agressividade? Ou o cansaço?
Dilma, que teve sua melhor performance no primeiro debate (na Band), voltou ao perfil “técnico” na Record. Um pouco cansativo, um jeito lento de falar. Como se sabe, ela não tem grande capacidade de oratória.  Ainda assim, teve um desempenho consistente – pelo efeito de comparação. Dilma mostrou seriedade, consistência, não riu do adversário.
Aécio “sarcástico” x Dilma “técnica”. Esse parece ter sido um dos saldos do debate da Record.
A íntegra.

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