terça-feira, 23 de outubro de 2012

A elitização do futebol

O Maracanã é um símbolo. O PMDB é da base do governo Dilma e o governador Sérgio Cabral Filho é, teoricamente, de esquerda. No entanto, a visão predominante também no seu governo é neoliberal: transferir todos os espaços públicos possíveis para a iniciativa privada: o Estado gasta reformando e empresas privadas lucram ganhando o bem privatizado. As justificativas são ridículas como "estímulos" para levar o torcedor ao campo. O torcedor não vai ao campo mais porque o ingresso "popular" custa R$ 40 e os jogos são em horários que convêm à televisão. O carioca, como se argumenta na matéria, vai ao Maraca depois da praia, não precisa de "atrativos" de praça de alimentação de shopping center. O que vale para o Maracanã vale para o Mineirão e outros estádios. Essa gente está fazendo um esforço enorme para tornar as cidades brasileiras cada vez piores para se viver. O futebol, que era lazer popular, agora é para a elite.

Da Agência Brasil
Sociedade civil questiona caráter comercial da licitação do Maracanã
Isabela Vieira
Com base na minuta do edital divulgado ontem (2210), organizações da sociedade civil avaliam que o governo do Rio quer transformar o Estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã) em um espaço de consumo, beneficiando a iniciativa privada, em vez de assegurar o uso público, esportivo e cultural do Maracanã.
"O Museu do Futebol é um bom exemplo. É uma ideia importante, é algo que precisava ser feito há muito tempo. Mas será o empresariado quem definirá os itens do acervo, os fatos históricos narrados? Qual visão de futebol privilegiará? Será de baixo custo?", questionou Gustavo Mehl, da organização do comitê do Rio de Janeiro, pedindo mais clareza e participação popular.Em entrevista sobre o edital, o secretário da Casa Civil Regis Fichtner disse que a meta é transformar o Complexo do Maracanã em uma área de entretenimento, atraindo frequentadores com serviços de alimentação, lojas, bares e serviços de alto padrão. "Em uma época de internet, televisão a cabo e 3D, tem que se dar algo para estimular a ida do torcedor ao estádio."
Ao avaliar a reforma e a nova proposta de multiuso do Maracanã, o professor visitante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFF), Chris Gaffney, vê uma mudança do papel do estádio na cultura carioca. Ele avalia que o programa popular de ir ao estádio passará a ser privilégio de classes de renda mais altas.
"Comer, beber e comprar antes de assistir ao jogo faz os gastos com o passeio subirem e não faz parte do hábito do carioca, que vai da praia para o estádio", disse Gaffney, em entrevista à Rádio Nacional do Rio. 'Poucas pessoas podem dar R$ 40 por jogo, como é no Engenhão [Estádio Olímpico João Havelange, que fica no Rio] e ficarão de fora".
Gaffney também compartilha da mesma visão do mestre e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Erick Omena. Para ele, a tendência é aumento no preço de ingressos populares, conforme mostra levantamento feito desde a inauguração, em 1950, até o o fechamento para reformas, em 2010. No período, os preços em relação ao salário mínimo só inflaram."A relação entre o preço e o salário mínimo ficou entre 0,5% e 2,1% entre 1950 e 2005, quando foi encerrada a geral [local popular onde as pessoas ficavam em pé]. Antes de o estádio fechar, em 2010, o preço pula para 6% do salário mínimo", disse na mesma entrevista à rádio. Na visão do pesquisador do Observatório das Metrópoles é preciso dar enfoque púbico às atividades no estádio.
A íntegra.

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