sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Os números do "mensalão" mineiro

Da revista Época. 
O distorcido efeito eleitoral dos mensalões
Paulo Moreira Leite
Quando se fala, então, dos efeitos do mensalão, é preciso corrigir. Não estamos falando de Justiça, apenas, mas de política, de um dos efeitos dos "2 pesos e 2 mensalões", como definiu Jânio de Freitas. Muita gente pensa que o mensalão PSDB-MG era uma coisa menor e pouco relevante. Essa impressão é um dos principais feitos do tratamento desigual. Ajuda a reforçar a impressão, essencialmente errada e eleitoralmente conveniente, de que o governo Lula e o PT tinham o monopólio das delinquências com recursos públicos.
Conforme a CPMI dos Correios, o dinheiro levantado pelo Valerioduto em Minas Gerais, a partir de 2000, quando era preciso pagar as dívidas da campanha estadual de 1998, chegou a cifras respeitáveis. Apenas a Telemig, que fora privatizada pelo PSDB e pertencia ao banqueiro Daniel Dantas, entregou R$ 122 milhões às agências de Marcos Valério. A Amazonia Celular, outra empresa do grupo, entrou com R$ 36 milhões. A Assembléia Legislativa de Minas Gerais compareceu com R$ 27 milhões e a Secretaria da Fazenda do governo de Minas entrou com R$ 27 milhões. Se você somar apenas contribuições de origem mineira, já passa dos R$ 200 milhões, muito mais dos R$ 153 milhões que, conforme ministros do Supremo, foi levantado pelo esquema Marcos Valério-Delúbio Soares.
Um aspecto curioso é que o mensalão PSDB-MG é mais antigo – teve início na campanha estadual de 1998 – e será julgado mais tarde. Por que? Isso se explica por vários fatores, inclusive sorte. Os tucanos não tiveram um Roberto Jefferson para fazer denúncias à Folha de S. Paulo quando ficou com a certeza de que estavam colocando olhares cobiçosos numa estatal que controlava.
Derrotados por Itamar Franco em 1998, os tucanos mineiros não tinham um botim muito grande de oportunidades em disputa entre aliados. Chegaram mesmo a recorrer ao governo federal, diz Lucas Figueiredo, autor de O Operador, recebendo guarida em verbas de publicidade de estatais durante o governo de FHC.
Por fim, contaram com um benefício grande, que foi a postura de boa parte da mídia. Conforme Joaquim Barbosa admitiu com muita franqueza, chegava a enviar repórteres que davam sorrisos amarelos quando lhes perguntava se não queriam notícias do mensalão mineiro, em mais um sinal de preferência por um caso em detrimento de outro.
A íntegra.

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