terça-feira, 30 de outubro de 2012

Os desafios de São Paulo

São maiores, mas semelhantes aos de todas as metrópoles, inclusive Belo Horizonte. Municípios com mais de 300 mil habitantes ficam complicados, o que dizer de 11 milhões? Belo Horizonte cresce menos do que outras capitais, é a sexta em população, foi passada por Salvador, Brasília e Fortaleza, e seu ritmo de crescimento é menor do que o de Manaus, a sétima. No entanto, nos últimos anos se constroem apartamentos em quantidade alucinante. Para quem? São apartamentos de R$ 1 milhão, obviamente para ricos, mas os ricos já têm onde morar... E para quem não tem? Uma questão fundamental, que torna a vida na cidade um inferno, é a locomoção: ter de atravessar a cidade para ir de casa ao trabalho, de casa à escola, de casa ao médico, de casa ao lazer. As cidades não crescem desordenadamente à toa, mas porque não é da natureza do capital planejar, o que o move é o lucro. Governos do capital não planejam. Quando o governo é de esquerda e quer planejar, o capital chia contra as "restrições" que vão "prejudicar o desenvolvimento", porque desenvolvimento, para o capital, não tem nada a ver com qualidade de vida, e sim, novamente, com o lucro. E então seus lobbies nas Câmaras de vereadores rejeitam ou mudam leis boas para favorecê-los. E depois que as coisas estão erradas é muito mais difícil mudar. Imagine-se o tamanho do desafio do Haddad quando fala que as pessoas precisam morar perto do trabalho. O que fazer? Mudar as empresas de endereço? E o trânsito? Dar prioridade ao transporte coletivo, quando o governo federal incentiva a compra de carros com IPI reduzido?

Do blog Luís Nassif Online.
A busca de saídas para São Paulo
Por Luís Nassif
Eleito prefeito de São Paulo, o economista, cientista social e filósofo Fernando Haddad terá pela frente um dos maiores desafios da gestão pública mundial: como humanizar uma grande metrópole, no caso, uma das maiores e mais desiguais do planeta.
É tarefa ciclópica que exigirá não apenas determinação política mas, também, diganósticos precisos.
Haddad assume com a intenção de retomar as rédeas do plano diretor, mas sabendo que a construção civil é um aliado imprescindível para a melhoria da cidade -- desde que a prefeitura defina claramente as prioridades. O descontrole imobiliário, atendendo a temas imediatistas, no final do processo acaba sendo ruim para todos, inclusive para o setor imobiliário.
Um dos pontos centrais da reforma urbana será o de aproximar os moradores do emprego. Haddad já apontou a política fiscal como indutora para levar mais empresas para as regiões pobres da cidade.
Há outros temas mais complexos, especialmente o da segregação de moradias, que faz com que toda a cadeia produtiva das classes de maior poder aquisitivo -- empregados domésticos, prestadores de serviços, empregados de comércio -- morem a quilômetros de distância do local de serviço.
Há um enorme espaço de reurbanização em zonas de interesse social nas quais se deverá experimentar a convivência de moradias caras com moradias populares.
Mas o ponto central de uma administração moderna -- enfatizada por Haddad em seu discurso inicial -- será promover o diálogo com todas as formas de organização que habitam o microcosmo riquíssimo da metrópole.
A íntegra.

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