sábado, 4 de outubro de 2014

A eleição no vice-reino do Maranhão

Esta história, atual, envolvendo outro Dino, mostra que a ditadura continua viva em muitos políticos, lugares e instituições. Os amigos do Sarney -- aquele, que foi o primeiro presidente da "democracia", depois de ser um serviçal da ditadura e desde sempre vice-rei do Maranhão -- assustam o povo com a ameaça de ter um governador -- vade retro! -- comunista...
No Maranhão, as oligarquias sobrevivem cooptando até o PT!

Do Viomundo.  
As lendárias eleições no Estado do Maranhão: do vale-tudo ao surreal
Fátima Oliveira, em O Tempo

É dificílima a luta de ideias em meio ao atraso feudal do Maranhão nas eleições. Embora a psiquiatria informe que sociopatas não possuem limites quando contrariados, a coisa aqui é bruta, sem um pingo de civilidade!
No poder há quase meio século, Sarney et caterva acionaram o arsenal do sindicato da fraude eleitoral herdado do pernambucano Victorino Freire (1908-1977), que aportou aqui em 1933 para chefiar o gabinete do interventor Martins de Almeida. A convite de Getúlio Vargas, foi chefiar o gabinete do ministro da Viação e Obras Públicas, de onde pavimentou, com verbas públicas, sua escalada de poder no Maranhão, tendo retornado em 1940 para a campanha à Presidência da República do seu amigo Eurico Gaspar Dutra, que presidiu o Brasil de 1946 a 1951.
Victorino não precisou ser governador do Maranhão para mandar em tudo por quase 30 anos – deputado federal (1946) e várias vezes senador. Era íntimo da Presidência da República (lição aprendida por Sarney, íntimo de qualquer presidente). Quando saía do Rio, dizia: "Vou ao Maranhão apertar as cangalhas!" Na iminência de perder uma eleição, arregimentava o sindicato da fraude.
Disse, em "A Laje da Raposa", que em 1965 tinha candidato, mas torceu para Sarney! Entendido, né?
Citei passagens pontuais para cotejar com as eleições de 2014, em que métodos victorinistas de terror tentam impedir que o povo eleja democraticamente um governador para pôr um fim ao meio século de saques aos cofres públicos e de penúria do povo, hoje com IDH de 0,639 (Brasil: 0,727) e 959.193 famílias no Bolsa Família. Em 2010, um pouco mais da metade do povo, do total de 6,3 milhões, sobrevivia desse benefício! Dispensa comentários.
Nas eleições de 2014 inventaram histórias escabrosas para destruir a imagem/dignidade de quem é contra Sarney et caterva, tendo como pano de fundo a cultura política das capitanias hereditárias para o Parlamento e o Executivo. Há "famílias políticas" – mandatos passam de pai para filhos, netos, genros e noras, via currais eleitorais e fraudes, como algo salutar e natural!
A íntegra.

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