quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um artigo sobre evolução e meio ambiente

Da Ciência Hoje.
Supersoldado em potencial
Por: Paula Padilha, 11/1/2012
Mesmo sob óticas totalmente distintas, Lamarck e Darwin afirmavam que o meio ambiente tinha importância fundamental para o desenvolvimento das espécies. Um artigo publicado em edição recente da revista Science parece reforçar essa ideia. Pesquisadores do Canadá conseguiram induzir, em laboratório, o desenvolvimento de supersoldados de uma espécie de formiga – Pheidole morrisi – em que esse tipo de subcasta ainda não havia sido observado na natureza, provavelmente por falta de estímulos ambientais. Normalmente, em um formigueiro, encontram-se castas de formigas rainhas e de operárias. Estas, por sua vez, podem se dividir em outras subcastas. No gênero Pheidole, ao qual pertencem as formigas em questão, as operárias se dividem em duas subcastas: as operárias menores e as soldados. No entanto, algumas espécies do gênero apresentam ainda uma terceira subcasta, a das supersoldados. Elas são muito maiores que suas companheiras e, assim como as soldados, têm a função de defender a colônia. Acostumados a coletar formigas P. morrisi, a equipe liderada pelo biólogo Ehab Abouheif, da Universidade McGill, no Canadá, se deparou com indivíduos anômalos, maiores do que todos os outros e semelhantes às formigas supersoldados. O fato de a espécie nunca ter apresentado fenótipos dessa subcasta intrigou o grupo. Partindo do pressuposto de que essas características teriam a mesma origem genética das compartilhadas por supersoldados, os pesquisadores decidiram comparar o desenvolvimento de formigas P. morrisi com outras duas espécies que expressam supersoldados, P. rhea e P. obtusospinosa. Os cientistas concluíram que, provavelmente, a habilidade genética de gerar supersoldados é uma característica presente no ancestral comum de todas as Pheidole A transformação de uma larva em supersoldado ocorre durante o seu estágio final de desenvolvimento e é altamente influenciada pela nutrição e mediada pelo hormônio juvenil, que participa de diversas funções do ciclo de vida de insetos. Cientes disso, Abouheif e equipe aplicaram um análogo desse hormônio em larvas de P. morrisi, identificando características parecidas com as das larvas das outras duas espécies. Os cientistas concluíram que, provavelmente, a habilidade genética de gerar supersoldados é uma característica presente no ancestral comum de todas as Pheidole. Esse potencial de expressão teria se mantido nos indivíduos até hoje, podendo ser silenciado ou estimulado por fatores ambientais.
A íntegra.

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