quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ocupar as áreas públicas para salvar as cidades

Vale para São Paulo e também para Belo Horizonte e outras grandes cidades, especialmente aquelas que não têm praia, local de encontro natural dos comuns desiguais igualizados. Salve Rio de Janeiro! Com o crescimento, as cidades perderam sua alma, aquelas que a tiveram (desconfio que Belo Horizonte nunca teve). Edifícios e carros são os predadores das populações urbanas enclausuradas em apartamentos, escritórios, veículos. A indústria da construção civil ocupa todos os espaços, os carros enchem as ruas, sobem nos passeios e áreas públicas. Até as periferias perdem espaços comuns. A vida comunitária desaparece, os vizinhos não se conhecem. A população urbana brasileira se multiplicou e urbanizou vertigionosamente na segunda metade do século XX: em 1950, éramos 52 milhões e só 18 milhões vivíamos em cidades; no ano 2000, já éramos 170 milhões, dos quais 138 milhões morando em cidades! Em meio século as cidades brasileiras receberam 120 milhões de habitantes! Belo Horizonte, que tinha 352 mil moradores em 1950, chegou ao ano 2000 com 2,2 milhões. Tudo isso aconteceu sem planejamento, destruindo a cidade que existia e construindo um monstrengo no lugar. A favor das cidades está o fato de que o crescimento da população brasileira diminuiu e deve parar, o que significa que provavelmente vivemos seu pior momento. Ao mesmo tempo, a população envelhece e logo a maioria de jovens será substituída pela maioria de velhos. Cidades habitadas por velhos são diferentes, são mais devagar, exigem novos equipamentos e cuidados, são mais caras. Novas situações de caos. Sem crescimento populacional, não é preciso construir tanto, ao contrário, é preciso ocupar edifícios que vão ficando vazios, como já acontece no centro da cidade. E é preciso ocupar de novo o centro. Pessoas que moram em apartamentos precisam de áreas públicas para conviver. Pessoas que moram sozinhas, famílias de poucas pessoas, como as que cada vez existem mais, convivem com conhecidos e amigos, não mais em família, como antigamente. E assim as áreas públicas ganham nova importância e novos significados. Enfim, reocupar os espaços públicos é um movimento como o de soltar pássaros engaiolados, que nem fogem, pois se desacostumaram de viver ao ar livre.

Do Blog do Sakamoto.
Que tal ocupar o Centro de SP no final de semana?
12/1/2012
A esperança de São Paulo é que uma nova geração, liberal em costumes, progressista politicamente, consciente com relação ao meio ambiente e aos direitos sociais e civis, culturalmente plural e agregadora e menos arrogante, consiga emergir com força em meio à decadência quatrocentona, travestida de modernidade ao longo do século 20, que ainda reina. Uma geração que consiga fazer com que a segregação social e cultural deixe de ser nossa mais importante política pública. Pois se houve melhora na administração pública, isso se deve à mobilização, pressão e luta e não a bondades de supostos iluminados. Até porque nossos "grandes líderes" naufragam em tempos de chuva e são reduzidos a pó em tempos de seca. Em um momento em que o poder público trata dependentes químicos e a população de rua na base da bala de borracha e da bomba de efeito moral, como parte de sua política para o Centro de São Paulo, é uma lufada de ar fresco atividades que tentam agregar e não expulsar. Um exemplo é o que vem fazendo o movimento BaixoCentro. Composto por centros culturais, coletivos, artistas e produtores do entorno do Minhocão, eles promovem, neste final de semana, uma série de atividades para ocupar as ruas e angariar fundos para um grande festival de rua – colaborativo e aberto à intervenção de qualquer um, a ser realizado em março. Serão quatro eventos para ocupar os bairros de Santa Cecília, Campos Elísios, Vila Buarque e Luz com música e ativismo.
A íntegra.

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