domingo, 20 de novembro de 2011

Economist: PM substituiu Exército na repressão política no Brasil

Da BBC Brasil.
Economist analisa 'atraso' brasileiro em lidar com os crimes da ditadura
Em sua edição desta semana, a revista britânica Economist trata da polêmica da Comissão Nacional da Verdade e analisa como o Brasil está atrasado em relação soa vizinhos para lidar com o legado da ditadura. A revista lembra que o projeto da comissão, que pretende esclarecer violações dos direitos humanos ocorridas de 1946 a 1985, já foi aprovado no Senado e deve ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff no próximo dia 23. E afirma que apesar de os três últimos presidentes do país terem sofrido nas mãos dos militares – Dilma foi torturada; Lula, preso e Fernando Henrique, obrigado a se exilar –, só agora o assunto está sendo tratado de maneira mais aprofundada. Diante disso, a publicação compara a situação do Brasil com seus vizinhos que mais sofreram com os chamados anos de chumbo. "O Brasil tem sido lento na revisão dos crimes da ditadura. A Argentina começou a processar os militares logo após o colapso do regime, em 1983", diz a reportagem. "A Suprema Corte do Chile decidiu em 2004 que os ‘desaparecimentos’ não eram passíveis de anistia." Na avaliação dos especialistas ouvidos pela Economist, essa demora no Brasil se deve ao fato de a transição para a democracia ter sido mais lenta e controlada no país. Uma das consequências desse atraso "é que a repressão continua, só que agora a violência se concentra mais na polícia, e não no Exército". A revista destaca que a truculência da polícia é raramente punida e frequentemente aplaudida, como acontece nos filmes Tropa de Elite, e que ativistas esperam que a Comissão da Verdade altere essas opiniões.
A íntegra.

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