sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Galo e o fim da maldição de 5 de março

escrevi sobre isso mais de uma vez e de forma diferente. O texto abaixo narra exemplarmente o histórico atleticano desde nosso dia mais triste, do qual estamos sendo redimidos pelo time de Kalil-Cuca-Ronaldinho & Cia. É de um mineiro (belo-horizontino?) porreta, que vive no exterior, mas parece que vive aqui, tal a percepção e o acompanhamento dos acontecimentos que ele tem, e está sempre na torcida certa. Andava sumido.

Do blog Impedimento.
O Galo e o fim da maldição de 5 de março 
Idelber Avelar
Todos os velhos conhecedores de futebol sabem que a final do Campeonato Brasileiro de 1977 não foi jogada entre Atlético-MG e São Paulo, mas entre a Justiça e a Fatalidade, entre a Lógica e o Imponderável. Jamais houve final como aquela, a que inaugura a maldição do 5 de março, porque jamais uma equipe vencedora reconheceu, de forma tão unânime, que o adversário era infinitamente superior. Era o Galo de Cerezo, Reinaldo e Paulo Isidoro, o Galo invicto, o Galo das 17 vitórias e 4 empates em 21 partidas, o Galo que chegou a ter um reserva de sua equipe (Marcelo) como titular da Seleção Brasileira de Osvaldo Brandão, o Galo que tinha 10 pontos a mais, contra o São Paulo de Neca, Chicão, Totonho e Bezerra.
E o fato é que eles nos derrotaram nos pênaltis sem qualquer interferência da arbitragem, da qual os atleticanos nos acostumamos tanto a reclamar. Apesar de que Arnaldo César Coelho se esqueceu de que a regra é clara e que você não pode pisotear um adversário caído - Chicão sobre Ângelo - sem receber cartão vermelho, aquele lance não teve qualquer influência no resultado final, em que o Galo esteve duas vezes na frente, da mesma forma como o Newell’s esteve duas vezes à frente ontem à noite no Horto, e perdeu. Marca definitiva desse imponderável é o fato de que não há qualquer animosidade contra o São Paulo entre a torcida atleticana, ao contrário do Flamengo – apesar de que a derrota de 1977 é muito mais simbólica e importante que a derrota de 1980.
Ali inicia-se uma fama atleticana que é um tributo à desmemória brasileira: durante 70 anos, de 1908 a 1978, a reputação do Galo foi exatamente a oposta da que se conhece desde a maldição do 5 de março. Éramos conhecidos pelas vitórias impossíveis, pela superação de equipes melhores, por ser um time de chegada. O Galo era o time que derrotou a Seleção campeã de 1970, o maior time de futebol de todos os tempos; o time que conquistou o impossível campeonato do Sudeste de 1937 – o primeiro grande campeonato interestadual do Brasil –, o time que derrotou a máquina soviética, o time que venceu os grandes da Europa em 1950, o time que conquistou o inacreditável pentacampeonato mineiro de 1956. Tudo isso se esfarela ante a nacionalização do futebol pela televisão e a consagração do Galo como o time que morre na praia a partir da maldição do 5 de março.
Todo atleticano da velha guarda tem uma data em que disse: "se não ganhar esta, não volto nunca mais ao Mineirão". A minha foi no Campeonato Brasileiro de 1985...
A íntegra.

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