domingo, 14 de julho de 2013

STF de pais para filhas ou a aristocracia judiciária

Até a Folha se espanta: aqueles que condenam sem ler o processo reproduzem uma aristocracia pública, em que os altos cargos passam de pais para filhos e todos se ajudam mutuamente. Qualquer brasileiro que depende do próprio trabalho para sobreviver fica estarrecido ao conhecer os salários, os benefícios e os luxos dessa casta superior, mantida com o dinheiro público, isto é, com os impostos -- pagos por quem? Pela imensa maioria que trabalha, carrega o país nas costas e praticamente não tem direito nenhum, principalmente se para valer seus direitos legais depende da justiça, ou seja dessa aristocracia. Nada mais distante das ruas, nada mais distante da democracia, que é o poder da maioria e a sociedade dos iguais. Nada mais compreensível, diante disso, do que as gigantescas manifestações populares de junho. Pra essa gente, por exemplo, mobilidade urbana é problema inexistente, eles reagem diante dela como Maria Antonieta diante da falta de pão, na Revolução Francesa, porque não dependem de transporte público e pago: locomovem-se de graça, em carro de luxo com ar condicionado, motorista e gasolina bancados pelo erário, quando não de helicóptero. O maior engarrafamento que pegam é em aeroportos... Como é que gente tão distante da realidade do povo pode fazer justiça? Obviamente, não está lá para isso, mas pelos privilégios do cargo. Não são em nada melhores do que os deputados, senadores e vereadores que tanto criticam. Essa distância abismal e irreconciliável entre o povo e as elites governantes -- nos três poderes -- é a verdadeira crise brasileira. O poder político no Brasil precisa ser refundado, por uma assembleia constituinte popular, efetivamente representativa do povo e não formada por políticos profissionais da elite.

Da Folha de S.Paulo.
Filhas de ministros do STF disputam altos cargos no Judiciário mesmo sem experiência  
Leandro Colon e Diógenes Campanha, de São Paulo

Para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), a advogada Marianna Fux, 32, é "respeitada" e "brilhante".
Na avaliação de Ophir Cavalcante, ex-presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o currículo da colega Letícia Mello, 37, "impressiona".
A mesma opinião tem o experiente advogado José Roberto Batocchio: "É uma advogada com intensa militância, integra um grande escritório, com ampla atuação no Rio".
Meses atrás, o mais novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, exaltou as qualidades de Letícia numa carta enviada a desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com jurisdição no Rio e no Espírito Santo. Em troca, ela prestigiou a posse dele no STF.
As duas advogadas são filhas de ministros do Supremo. Com poucos anos de advocacia, estão em campanha para virar desembargadoras, juízas da segunda instância.
Filha do ministro Luiz Fux, Marianna lidera as apostas para substituir o desembargador Adilson Macabu, que se aposenta no Tribunal de Justiça do Rio nesta semana. 
Se for bem sucedida, ela terá um salário de R$ 25,3 mil e regalias como carro oficial e gabinete com assessores.
Filha do ministro Marco Aurélio Mello, Letícia pode conseguir coisa parecida. Ela foi a mais votada numa lista submetida à presidente Dilma Rousseff para o preenchimento de uma vaga no TRF do Rio.
A íntegra.

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