sexta-feira, 12 de julho de 2013

O pronunciamento do espião Snowden em Moscou

O que esse sujeito está fazendo hoje, antigamente era a imprensa que fazia, mas hoje ela está cooptada e não faz mais questão de informar, nem defende a liberdade de imprensa. Em outros tempos, Snowden seria só uma fonte, mantida em sigilo, como aconteceu com o Garganta Profunda, do caso Watergate, que levou o presidente americano Richard Nixon a pedir demissão. Hoje, Obama, seguro e protegido pela imprensa, diante de um escândalo maior, caça um cidadão americano, um espião que caiu em desgraça. Podemos imaginar o que faz com cidadãos estrangeiros. E olha que a estrutura caríssima, enorme e apavorante da espionagem americana se justificou para se defender da "ameaça comunista". Mais de vinte anos depois do fim da União Soviética, a espionagem não acabou e ainda aumentou absurdamente. Para atender a que interesses? Nada mais é teoria da conspiração: a realidade ultrapassa a imaginação.

Do Pragmatismo Político.
A íntegra do comovente pronunciamento de Edward Snowden
Ex-técnico da CIA faz pronunciamento, confirma pedido de asilo à Rússia e acusa Estados Unidos de tentar tornar legal algo imoral. Snowden diz que se sente muito afetado, mas não se arrepende de nada porque os EUA é um país que "age na ilegalidade"
Abaixo a íntegra do pronunciamento de Edward Snowden no aeroporto internacional de Moscou, feito nesta sexta-feira (12/7/13) às 17h, hora de Moscou, e divulgado pelo saite Wikileaks.

"Olá, meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no Paraíso, e vivia com muito conforto. Eu também tinha a capacidade de, sem qualquer autorização, procurar, tomar e ler as suas mensagens. Na verdade, as mensagens de qualquer pessoa, a qualquer momento. Este é o poder de mudar o destino das pessoas.
"Também é uma séria violação da lei. As emendas 4 e 5 da Constituição do meu país, o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e numerosos estatutos e tratados proíbem tais sistemas de vigilância massiva e invasiva. Enquanto a Constituição dos Estados Unidos assinala que estes programas são ilegais, o meu governo argumenta que juízos de um tribunal secreto, que o mundo não pode ver, de alguma forma legitima esta atividade ilegal. Estes juízos simplesmente corrompem a noção mais básica de justiça, que precisa ser revelado. Algo imoral não pode se tornar moral através do uso de uma lei secreta.
"Eu acredito no princípio declarado em Nuremberg, em 1945: 'Indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de independência. Portanto, cidadãos individuais têm o dever de violar leis domésticas para impedir a ocorrência de crimes contra a paz e a humanidade'.
"Conforme esta crença, fiz o que eu acreditava ser certo e comecei uma campanha para corrigir estas ações erradas. Não procurei enriquecer, nem vender segredos dos Estados Unidos. Não me aliei a qualquer país estrangeiro para garantir a minha segurança. Ao invés, revelei o que eu conhecia ao público, de tal modo que aquilo que afeta a todos nós possa ser discutido por todos nós à luz do dia, e pedi justiça ao mundo.
"A decisão moral de tornar pública a espionagem que nos afeta a todos me custou muito, mas era o correto a fazer, e não me arrependo de nada."
A íntegra.

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